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OS MAIORES BANCOS DO BRASIL ABREM O JOGO

O primeiro deles foi chamado de "visão 2020 de lideranças de TI" e contou com a participação dos principais executivos de tecnologia da informação do Banco do Brasil (Manoel Gimenes Ruy); do Banco Itaú (Renato Cuoco); da Caixa Econômica Federal (Clarice Coppetti) e Laércio Albino Cezar, do Bradesco. Eles enfrentaram perguntas endereçadas por Sonia Penteado, diretora da IDG Computerworld do Brasil; por Wilson Moherdaui, da plano editorial - jornal Informática Hoje; Sandra Carvalho, diretora da revista InfoExame da Abril e por Graça Sermoud, diretora da Revista Decision Report; além de perguntas colhidas na platéia.

Esse painel foi presenciado por 562 congressistas e esclareceu todas as questões ligadas a tecnologia e negócios dos 4 maiores bancos brasileiros. Os líderes revelaram não apenas suas opiniões pessoais, mas seus pontos de investimentos, apostas no futuro e casos de implantação. Abaixo vai a reprodução de boa parte desse primeiro Roda Viva no Ciab. O outro encontro de Markun, jornalistas e líderes de TI que aconteceu no Ciab Febraban desse ano ficamos devendo para a próxima edição. Não percam.

Prioridades. Façam suas apostas.

Paulo Markun - Se vocês, CIOs, tivessem só uma ficha para apostar em qual das tendências de TI vocês escolheriam?

Clarice Coppetti - Apostaria na Internet com inclusão digital. Temos hoje um contingente de apenas 15% de brasileiros incluídos. Se colocarmos uma gama de serviços financeiros e sociais na internet teremos uma poderosa arma para isso. A inclusão deve ser política pública nesse país.

Renato Cuoco - Apostaria em entendimentos entre todos os participantes econômicos para se estabelecer um processo mais organizado no sistema de pagamentos. Evitaria picos de pagamentos, menos filas e atropelos e poderia popularizar os serviços dos bancos. A questão ainda exigiria a proliferação de serviços de forma mais diluída e adequada; a desburocratização de pagamentos e tributos e canais eletrônicos mais simples.

Laércio A. Cezar - Internet, mobilidade e canais interativos para buscar a bancarização e inclusão, além de colocar o sistema financeiro na casa do cliente. Todas essas são tendências importantes, mas minha ficha vai para investimentos em segurança eletrônica. Prover soluções de segurança de maneira tal que a internet não pereça no meio do caminho. Estender tecnologias de segurança para o usuário final que é o elo mais frágil da cadeia.

Gimenes Ruy - O desafio para nosso futuro é melhorar as políticas públicas que permitem uma bancarização significativa e com a mesma qualidade que nos esmeramos para apresentar ao cliente corporativo. O atendimento às camadas bancarizáveis também deve ser de alta qualidade.

Bancarização e correspondentes

Graça Sermoud - O modelo de bancarização está recebendo investimentos importantes dos bancos brasileiros. Basta lembrar que de 2004 a 2005, os correspondentes cresceram 51%. Hoje, bancarizar significa multiplicar a oferta de serviços e massificar o crédito. Mas como seria a bancarização do futuro como seria a qualidade dos seus serviços?

Gimenes - A qualidade não significa necessariamente produtos ou canais sofisticados. Qualidade também é a presença em lugares onde não estávamos. Por isso compartilhamos estruturas para garantir a proximidade com essa camada da população. Nossos correspondentes e o Banco Popular chegam a 6 mil pontos de atendimento que registraram a presença de 6 milhões de pessoas em 2005. Muitas delas foram bancarizadas através de microcrédito, famílias que conseguiram aumentar sua renda impulsionadas por empréstimos de R$300,00 que foram usados em pequenos comércios etc.

Sandra Carvalho - O Banco Popular é uma referência em bancarização para o bem e para o mal. Gostaria de um balanço do Banco Popular que foi criado pelo Banco do Brasil.

Gimenes -É um projeto ainda em tempo de maturação, mas que tem números importantes: realizou R$250 milhões em microcrédito; registra taxas de inadimplência menores que as usuais; já possui 4.500 pontos distribuídos no Brasil, em especial no NE e NO; e levou o atendimento bancário onde não seria possível o Banco do Brasil estar. Finalmente estamos hoje iniciando o período positivo do ponto de vista do retorno do que foi investido. Houve uma decisão estratégica do Banco de fazer uma instituição nova, à parte, justamente para que seus balanços não fossem contaminados pela grandiosidade do Banco. Para que pudéssemos discutir com todos as dificuldades do caminho.

Sonia Penteado - Dentro do tema Bancarização, temos o dever de discutir estratégia de tecnologia. Quais são os desafios para a bancarização? Seriam tecnologias mais baratas?

Laércio - O Bradesco tem o Banco Postal. Ele já está em 1.100 municípios que não eram atingidos anteriormente trazendo oportunidade de cidadania para essas populações ao oferecer serviços de uma instituição financeira. O Banco Postal tem clientes que até a pouco tempo viajavam muito para pagar uma conta. Quando voltavam já encontravam nova conta para pagar. Era ruim e custava muito para a pessoa. Encaramos o Banco Postal e os correspondentes como mecanismos de inclusão digital e no sistema financeiro. Através deles, as pessoas são atraídas pelo modo operacional, equipamentos e sistemas à distância. São veículos extraordinários de cidadania e fazem com que a economia gire no próprio município, que não haja evasão de dinheiro para as cidades que possuem bancos. E proporciona para nós um ganho de escala importante e alargamento das divisas de atendimento.

Renato Cuoco - A Bancarização depende menos de tecnologia do que de desenvolvimento econômico. Os correspondentes atendem uma massa enorme de correntistas de baixa renda. Instituições como Itaú e Bradesco, por exemplo, abrem anualmente 10 milhões de contas para a camada de baixa renda. Veja que os 23 milhões de beneficiários do INSS já estão bancarizados. Devemos imaginar formas de crescimento econômico, com canais apropriados, mas, sobretudo encarar esse público como emergente não alguém que será sempre de baixa renda. Isso transcende a tecnologia. Precisamos mais de tecnologia de desenvolvimento que de tecnologia da informação.

Clarice - É bom lembrar que estamos distantes de atingir a massa da população, calculada em 50 milhões de pessoas em condições de bancarização. Estamos longe disso. A Caixa tem 5 mil pontos em pequenos negócios e municípios desasistidos que levam os pagamentos de programas sociais do governo federal. Temos que lembrar que isso pode mudar os modelos de negócios, mas a tecnologia continua a mesma e pode ser mais cara ainda. Usamos as mesmas aplicações e com dificuldades operacionais maiores. Temos de desmistificar a expressão: "para esse público vai uma tecnologia mais barata".

Internet e Comunidades Virtuais

Wilson Moherdaui - A Internet é realmente um canal relevante. Elaé um ambiente, por definição, anárquico e os bancos são exemplos de organização. Veja que temos o exemplo do oferecimento de empréstimo de pessoa para pessoa em muitos blogs e comunidades, eliminando o intermediário que seria os bancos. Os bancos seriam alijados desse processo de tomada de dinheiro e ter que remodelar seus negócios em função da anarquia desse ambiente?

Clarice - Agora estamos chegando perto do ano de 2020. Deixara condição de maiores emprestadores da sociedade? Acho que vamos continuar com a máxima que diz: todo mundo precisa de uma casa e um Banco. Mas ele vai mudar muito o seu papel, nos sentidos de uma prestação de serviços mais integrada e intermediará serviços de outros setores econômicos. Pois é isso que a TI vai nos permitir. Note que a TV Digital pode nos propiciar ser um integrador de serviços muito mais do que somos hoje. Para mim o ambiente da Internet não nem organizado nem caótico. Ele é neutro. Isso define melhor o uso que os bancos fazem e atingimos apenas de 10 a 15% das possibilidades que a Internet abre. Por exemplo: O Computador Popular, ou Computador para Todos, programa no qual todos os bancos participaram, fez com que - pela primeira vez no Brasil - o mercado formal de venda de micros superasse em vendas o mercado cinza. Para nós é um ambiente neutro.

Renato Cuoco - Sobre a desintermediação financeira, temos que entender que existirão novos players e novos negócios. Veja que hoje um banco múltiplo oferece uma gama enorme de serviços e nós nos lembramos como eram os bancos múltiplos no início. A intermediação financeira é importante, mas os possíveis "agiotas eletrônicos" fazem parte do jogo e nem por isso o sistema ficará abalado. Companhias negociam "commercial papers" e debêntures num ambiente desintermediado. O ambiente da Internet não é uma coisa nem outra. Ela é, antes de tudo, interoperabilidade. Fizemos essa proposta de interconectividade a custa de milhões de linhas de software e muito esforço, e pago por toda a sociedade. E isso ainda trará uma série de novidades, como o VOIP (telefone por internet), que significa a desintermediação das operadoras de telefonia.

Comunidades e jovens

Sandra Carvalho - Hoje o internauta mudou. Ele não apenas procura informações, ele as produz e compartilha. Proliferam os sites de compartilhamento e o internauta tem nas mãos o rumo que as coisas estão tomando. Por exemplo, o Messenger abriga hoje 19 milhões de pessoas produzindo e não consumindo informações. O que os bancos podem fazer com esse internauta muito mais ativo?

Markun - Essa é a mesma pergunta da platéia. O Joaquim Kavakama, diretor do SIP, diz que seus filhos de 17 e 20 anos acham os produtos bancários chatos e pergunta: o que os bancos vão fazer para não perder esses novos clientes? O que a TI pode fazer?

Laércio - Os bancos sempre tiveram atenção ao público jovem. Criamos poupança própria, produtos específicos e hoje nos preocupamos com os jovens conectados, seus blogs e comunidades. . Encomendamos recentemente uma pesquisa: "o que falam de nós os blogs". Descobrimos que 48% dos que falavam de bancos, falavam do Bradesco, e alguns falavam mal. Isso serve para que tomemos iniciativas. Essa blogosfera é excepcional fonte de informações e ainda não temos ferramentas de pesquisa à altura dessa rede silenciosa e crescente. Mas nós temos que buscar esses nichos de informações que vão permitir novos produtos e soluções. Atualmente não fazemos isso de forma consistente, mas esse é um caminho a ser perseguido.

Renato: O canal internet é o que mais cresce e se transforma. A internet, hoje, é um grande canal de interação. Prometo aos filhos do Joaquim que nossos sites não serão chatos para sempre.

Gimenes - Os bancos segmentam a pirâmide de forma horizontal, tratando de públicos diferentes. Hoje, os grupos se organizam na internet e oferecem uma oportunidade aos bancos de desenvolver produtos para essa clientela e para esse canal, ao capturar as informações que eles mesmos oferecem. O próprio meio facilita você organizar e identificar soluções adequadas.
Clarice - Essas redes, essas tribos são formadoras de opinião. É uma oportunidade para as equipes de ouvidoria e comunicação dos bancos. Elas podem ultrapassar os canais tradicionais de ouvidoria. Mas vamos ter de criar ferramentas para isso. Podemos estar perto de uma mudança cultural dentro das instituições. Esse grupo formador de opinião é muito forte e pode balançar as estruturas.

Segurança e a auto-fraude

Graça Sermoud - Renato, e a segurança? Acho que os bancos estão dividindo essa responsabilidade com o usuário. Imputam até penalidades por negligência no uso do serviço. Até onde vaia responsabilidade do Banco e a do cliente?

Renato - Os meios eletrônicos diversificaram a possibilidade de fraude. Mas ela sempre existiu: lembram do cheque falsificado? Os processos melhoram, evoluem, mas o mal também. Esses tais "chupa cabras" são muito bem feitos, com versões para todo tipo de ATMs até nacionais. Como são também bem feitas as falsificações na indústria de motocicletas, bebidas e outras. O que falta é legislação. Pois investigar sites falsos e outros, a Polícia Federal e os bancos fazem. Essa mesa responde por 80% das tentativas de fraudes no País. Se as equipes de um banco detectam alguma coisa, avisamos todo mundo. Mas não temos uma legislação específica e penas específicas.
Por outro lado, a negligência existe! Você não pode deixar a chave de sua casa em poder de estranhos. Houve um momento em que o pagamento de indenizações era prática generalizada, e aí conhecemos a auto-fraude. Temos muitos exemplos dessa prática.

Markun - Os bancos andam para trás nessa questão. Um banco inventa um dispositivo com mais de 400 números; outro um chaveirinho que aperta e recebe informação; mais um que oferece um software que só funciona em determinadas condições e não funciona em outras. Vocês acham que essa fase, que é a de resposta à ação dos bandidos, vai ser ultrapassada? A segurança será mais eficaz e teremos na internet uma solução efetiva?

Renato - A legislação tem que ficar mais rígida. Porque na hora que você efetivamente prender uma quadrilha, as outras vão ficar preocupadas. Agora, Comodidade e segurança são aspectos conflitantes. É sempre difícil o balanço entre segurança e conveniência. Normalmente temos 3 chaves da nossa porta, sem contar alarmes, e se não fosse a bolsa da minha esposa, ficaria complicado para mim...

Laércio - Temos que aprender a conviver com isso. , assim como no passado a falsificação de cheques era um problema terrível para o sistema financeiro. O que os bancos fazem é investir e proteger o usuário que é menos preparado para enfrentar o crime eletrônico. Aqui no Brasil não temos notícia de intrusão em sistemas bancários, os bancos são muito fortes e protegidos. O lado cliente é que é vulnerável e oferece a possibilidade de intrusão para captura de dados. As tecnologias de prevenção são muito boas.Vemos aqui no Ciab a identificação de face, no estande da Itautec, na Procomp; vemos exemplos de identificação biométrica. O parlamento dos EUA está debatendo um projeto de lei que torna as tecnologias de segurança obrigatórias, e por quê? Porque lá as fraudes beiram a cifra de US$1.8 bilhão no ano. No Brasil, temos um dado da Febraban referente a 2005 mostrando que os bancos pagaram indenizações no total de R$300 milhões. Seguramente há um balanceamento de investimentos em segurança com a ocorrência de fraudes.

Renato - Mas há muito para se evoluir em tecnologia. Achar que uma pessoa comum vai desinfectar seu computador várias vezes, é pedir muito, até para nós tecnólogos.

Sandra Carvalho - Existem muitas opções de antivírus e antispyware. Por que os bancos não os oferecem aos correntistas? Não bastaria um acordo comercial?

Laércio - O Bradesco já tem essa opção. Nosso site oferece a possibilidade de transferir esses produtos no mesmo acesso que o cliente está fazendo.

Renato - E essa possibilidade de entrada na máquina do usuário, se não for bem feita, se não for feita por um banco ou empresa idônea, é problemática. Pois ela também é uma forma de se infectar com vírus. Essas armas precisam evoluir e ficar mais baratas. Observo que temos fraudes em cartões, temos clonagem de telefones, para concluir que esse processo não se dá só em bancos. Todo processo tecnológico tem etapas de maturação, e enquanto isso se dá, ele fica vulnerável.

Clarice - A notícia positiva é que saímos da fase de correção e partimos para a de prevenção. Temos equipes que estudam dispositivos para implementar, se antecipando aos problemas. Outro destaque é que não temos mais uma atuação individual. Através do GTI de segurança da Febraban iniciamos uma atuação coletiva. Nós intensificamos a troca de informações e estudamos todos os tipos de ataques e conseguimos implementar segurança a nossos clientes. Mas também temos que pensar que foram os bancos que propuseram esse padrão de serviços e então a segurança dele também é nossa responsabilidade.

Móbile Bank - Pelo telefone mandaram me avisar.

Wilson - Qual o principal desafio que vocês enxergam no Móbile Bank? Os bancos têm resistências à disseminação do móbile porque não confiam nos dispositivos ou em função da segurança nas transações?

Gimenes - O Banco do Brasil tem experiência na expansão do móbile banking. São 9 milhões de clientes que podem fazer transações a partir de celulares usando as mesmas senhas da internet, com os mesmos mecanismos de segurança.

Sonia Penteado - Qual é o grau de adesão dos clientes do Banco?

Gimenes - De janeiro para cá tivemos 8 milhões de transações. São cerca de 1.3 milhões de transações ao mês. Registramos 400 mil clientes que acessam normalmente e com poucas consultas ao help desk com dúvidas ou falhas. Agora estamos implantando nosso móbile no Japão. A maior dificuldade que encontramos é que o usuário tem que comprar um aparelho mais sofisticado em termos de segurança. Posso dizer que temos efetivamente um canal alternativo que venha a suprir as necessidades de informações e transação onde o cliente estiver.

Sonia - Uma pesquisa do IDC indica que a mobilidade é uma das 3 prioridades para os próximos 24 meses nos bancos. Quais as estratégias de vocês?

Laércio - Mobilidade é a terceira onda de interação. É o que vem por aí. Ainda carece de aculturamento. Temos mais de 3 mil tipos diferentes de celulares, o que é um obstáculo considerável para atender todas as tecnologias diferentes. As mais novas recebem melhor os serviços e o que os bancos podem mandar para um equipamento móvel, PDA ou celular. Ainda em 97 lançamos o primeiro serviço explorando o WAP, o sistema móvel transacional, mas para se chegar a um nível maior de utilização, com volume suficiente para se consagrar, ainda vamos demorar alguns anos, como foi com a internet, ATMs e outros. Temos progressos. Recentemente desenvolvemos junto a Finasa um sistema de PDAs para aqueles que trabalham nas concessionárias de carros. Isso é alta produtividade em sistema móvel. O vendedor pode fazer consultas e firmar contratos em movimento.

Renato - Precisamos da evolução dos próprios aparelhos celulares também, até que eles apresentem uma interface mais amigável. Não é fácil trabalhar com aquelas telinhas. É importante pesquisar e desenvolver. Anos atrás criamos um sistema de reconhecimento de voz que respeitava até sotaques regionais. Achamos que iria ter um uso massivo, mas hoje é só mais um produto assim como aconteceu com o WAP.

Laércio - Na medida em que esses aparelhos tenham novas utilidades, o sistema móbile poderá tomar forma. Outro dia adaptaram tokens em celulares, permitindo senhas aleatórias. Há necessidade de maturação e aceitação pelo público.

Clarice - Os bancos tem produtos para móbile e não vemos resistências nas equipes de TI e de relacionamento. A Caixa tem produtos já tradicionais para celulares e PDAs, e introduzimos informações e transações de serviços sociais neles. Pelo telefone você pode ter informações do seu FGTS ou efetuar o pagamento do PIS. A tendência é convergir todos os serviços para esse canal.

Insônia - O que lhes tira o sono?

Wilson - O que tira o sono de vocês, como profissionais de TI? É a segurança? A terceirização? Sistemas legados? Tendências? Alinhamento de negócios a TI?

Laércio - O que mais me tira o sono é uma queda do sistema! O sistema fora do ar deixa milhares de usuários sem condições de suprir suas necessidades. Eu fico imaginando um cliente que chega a um aeroporto distante e não consegue sacar dinheiro no caixa eletrônico. Porque não há sistema infalível. Todos tem ruído, e precisamos controlá-lo e minimizar a gradação desse ruído para não degenerar em danos sistêmicos.

Gimenes - Isso te tira do sério, tira o sono e tira o emprego também. Além disso, a complexidade e as parcerias são o que mais me chamam a atenção. Porque os fornecedores têm um compromisso de participação, mas na hora que a crise vem e o cliente está desasistido, você fica sozinho. Nessa hora quem paga é o funcionário do banco. De forma geral, nós da TI dos bancos somos criativos e conseguimos um alto nível nos sistemas e otimização dos meios disponíveis, e os parceiros tem muito a ver com isso. Mas, às vezes, você não tem um sistema legado bom, à altura, e isso também me tira o sono.

Clarice - perco o sono com a questão da gestão da equipe e da retenção de talentos. O mercado de tecnologia é crescente e sempre demanda profissionais completos e experientes do modelo de negócios. Aí perdemos os talentos que farão muita falta. Mas minha insônia atual é um projeto que já dura 3 anos para a completa migração dos sistemas de rede, rede de comunicação e equipamentos do canal lotérico da caixa. São 9 mil casas lotéricas em 3.628 municípios e com 25 mil terminais para finanças e loterias. Integramos todos num tipo só de máquina equipada com sistemas linux.

Renato - Hoje a gente perde menos o sono que alguns anos atrás. Atualmente os sistemas são mais previsíveis. O que tira meu sono é quando acontece algum problema e o fornecedor diz: "olha, estou solidário com você"; ou "o que posso fazer por você". Durma-se com um barulho desses!

Outsoucing - O que não se deve terceirizar.

Graça Sermoud - O maior negócio dos fornecedores de TI que atendem os bancos é a terceirização. Qual a visão atual de vocês sobre o outsourcing?

Renato - a terceirização tem que ser utilizada quando agrega valor, senão é mistificação. Geralmente os apaixonados por outsourcing falam de sistemas legados, mas um sistema concebido numa estrutura antiga não representa dano total. Ele pode ser atualizado. Temas como legado, cliente/;servidor e outros correm o risco de tornar-se teologia e não tecnologia. A terceirização quando melhora, diminui custos e libera recursos para o banco dedicar a outras atividades será sempre bem vinda. O resto é mito. Você pode deixar de pagar salários, mas continuar pagando para outra fonte. O outsourcing deve crescer com empresas sólidas e com metodologias que nos auxiliem na tarefa do desenvolvimento. Devem ter uma visão que some conosco para a formação e gestão de pessoas, que é o nosso grande capital.

Clarice - O modelo de negócios das empresas brasileiras amadureceu muito. Quando o assunto é outsourcing, a Caixa provou de todos os sabores e cores. Alguns negócios evoluíram, outros decaíram. Esse aprendizado do fracasso nos amadureceu a todos. Elevamos o nível de prestação de serviços para processos que se deve terceirizar, mas aprendemos também as coisas que não se deve por para fora. O próprio modelo de negócios não deve ser terceirizado, pois você pode perder o próprio negócio.

Agência do Futuro. O fim dos fios.

Sonia - Esse debate é dedicado ao Futuro. O nome faz um apelo para daqui a duas décadas. Assim, como será a agência bancária em 2020?

Laércio - totalmente sem fio. Hoje temos cabos debaixo de carpetes, de mesas, que demandam altos investimentos e custos de manutenção. .Além disso, a agência do futuro é aquela capaz de atender o cliente onde ele estiver. O funcionário atenderá em qualquer ponto. Serão muito automatizadas e não apenas dedicadas a serviços bancários, mas pontos de negócios.

Gimenes - A agência é um canal. Considerando a necessidade de desenvolvimento econômico e social do Brasil, a agência é e será necessária. Temos, por exemplo, agências que atendem populações indígenas que nem falam português e os funcionários se comunicam por sinais. Ela é uma praça onde há troca de cultura e integração. É o ponto de referência de aculturação. Por outro lado, continuaremos a seguir as demandas dos clientes e vamos nos modernizar muito, sempre seguindo a necessidade do cliente.

Clarice - Teremos a permanência do ponto de venda, tradicional e físico, mas com maior nível de automação e de serviços, mais ferramentas, customizado e acompanhando o cliente. Mas não vejo uma agência que se pareça com um telão ou uma TV digital.

Software livre divide bancos públicos e privados

Paulo Markun - Vamos abrir para mais perguntas da platéia. O Cláudio Halley, gerente de TI, pergunta sobre planos para utilização de sistemas de código aberto e software livre.

Clarice - A Caixa investe a longo tempo em capacitação de profissionais, pesquisa e testes nas áreas de código aberto e software livre. Dei o exemplo do projeto dos canais lotéricos. Participamos de todos os congressos e fóruns, inclusive como patrocinadores. Customizamos já diversas soluções em software livre e desenvolvemos o suporte que o mercado nos oferece. Apostamos e apostaremos nessa tendência.

Gimenes - Essa tendência tem um processo de criação democrático. Temos compromisso com ela. Inclusive, aqui no Ciab, estamos apresentando um grande case de implantação Linux no Banco do Brasil. O software livre deve ser incentivado e estimulado no sentido de distribuição a outras instituições
Renato - O importante é não ser teológico com a questão. O processo de livre escolha é mais importante que o software ser livre. O software livre e ode código aberto são mais opções que o mercado nos propicia, devem ser usados quando trazem valor estratégico para a instituição.

Laércio - A questão parece dividir os bancos públicos e privados. Usamos esse tipo de software, mas não intensamente. Por exemplo: oferecemos uma opção ao usuário de "office Banking" em software livre. Temos várias experiências e incursões nessa área porque entendemos que é nossa obrigação ter contato com todas a variedade tecnológica disponível.

Infra-estrutura. Quando os caminhos devem ser abandonados.

Paulo Markun - O Robson Cerqueira, superintendente do Banco do Sergipe, pergunta, para encerrar esse nosso Roda Viva, como será a infra-estrutura de TI em 2020? 30 segundos para cada resposta

Gimenes - devemos buscar a convergência de recursos, simplificar ao máximo. Adquirir soluções prontas e ter um estágio adequado às demandas.

Clarice - Teremos um forte investimento em ATMs e realizar um amplo acordo para viabilizar máquinas com capacidade maior e com menor custo.

Laércio - Sistemas mais produtivos e que estejam à altura de atender a instituição. O fornecimento é ponto fundamental. Quem está dentro de uma casa só consegue enxergar até as paredes. Os fornecedores nos trazem informações preciosas. Assim as percerias serão privilegiadas.

Renato - Foco no cliente e atender aos negócios. A TI deve ter os pés no chão: simplicidade, produtividade e criar condições para um processo evolutivo. Prospectar muito em tecnologia. Devemos ter um olho sempre nas novidades e reconhecer quando os caminhos devem ser abandonados.