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OS
MAIORES BANCOS DO BRASIL ABREM O JOGO
O
primeiro deles foi chamado de "visão
2020 de lideranças de TI" e
contou com a participação
dos principais executivos de tecnologia
da informação do Banco do
Brasil (Manoel Gimenes Ruy); do Banco Itaú
(Renato Cuoco); da Caixa Econômica
Federal (Clarice Coppetti) e Laércio
Albino Cezar, do Bradesco. Eles enfrentaram
perguntas endereçadas por Sonia Penteado,
diretora da IDG Computerworld do Brasil;
por Wilson Moherdaui, da plano editorial
- jornal Informática Hoje; Sandra
Carvalho, diretora da revista InfoExame
da Abril e por Graça Sermoud, diretora
da Revista Decision Report; além
de perguntas colhidas na platéia.
Esse
painel foi presenciado por 562 congressistas
e esclareceu todas as questões ligadas
a tecnologia e negócios dos 4 maiores
bancos brasileiros. Os líderes revelaram
não apenas suas opiniões pessoais,
mas seus pontos de investimentos, apostas
no futuro e casos de implantação.
Abaixo vai a reprodução de
boa parte desse primeiro Roda Viva no Ciab.
O outro encontro de Markun, jornalistas
e líderes de TI que aconteceu no
Ciab Febraban desse ano ficamos devendo
para a próxima edição.
Não percam.
Prioridades.
Façam suas apostas.
Paulo
Markun - Se vocês, CIOs, tivessem
só uma ficha para apostar em qual
das tendências de TI vocês escolheriam?
Clarice
Coppetti - Apostaria na Internet com
inclusão digital. Temos hoje um contingente
de apenas 15% de brasileiros incluídos.
Se colocarmos uma gama de serviços
financeiros e sociais na internet teremos
uma poderosa arma para isso. A inclusão
deve ser política pública
nesse país.
Renato
Cuoco - Apostaria em entendimentos entre
todos os participantes econômicos
para se estabelecer um processo mais organizado
no sistema de pagamentos. Evitaria picos
de pagamentos, menos filas e atropelos e
poderia popularizar os serviços dos
bancos. A questão ainda exigiria
a proliferação de serviços
de forma mais diluída e adequada;
a desburocratização de pagamentos
e tributos e canais eletrônicos mais
simples.
Laércio
A. Cezar - Internet, mobilidade e canais
interativos para buscar a bancarização
e inclusão, além de colocar
o sistema financeiro na casa do cliente.
Todas essas são tendências
importantes, mas minha ficha vai para investimentos
em segurança eletrônica. Prover
soluções de segurança
de maneira tal que a internet não
pereça no meio do caminho. Estender
tecnologias de segurança para o usuário
final que é o elo mais frágil
da cadeia.
Gimenes
Ruy - O desafio para nosso futuro é
melhorar as políticas públicas
que permitem uma bancarização
significativa e com a mesma qualidade que
nos esmeramos para apresentar ao cliente
corporativo. O atendimento às camadas
bancarizáveis também deve
ser de alta qualidade.
Bancarização
e correspondentes
Graça
Sermoud
- O modelo de bancarização
está recebendo investimentos importantes
dos bancos brasileiros. Basta lembrar que
de 2004 a 2005, os correspondentes cresceram
51%. Hoje, bancarizar significa multiplicar
a oferta de serviços e massificar
o crédito. Mas como seria a bancarização
do futuro como seria a qualidade dos seus
serviços?
Gimenes
- A qualidade não significa necessariamente
produtos ou canais sofisticados. Qualidade
também é a presença
em lugares onde não estávamos.
Por isso compartilhamos estruturas para
garantir a proximidade com essa camada da
população. Nossos correspondentes
e o Banco Popular chegam a 6 mil pontos
de atendimento que registraram a presença
de 6 milhões de pessoas em 2005.
Muitas delas foram bancarizadas através
de microcrédito, famílias
que conseguiram aumentar sua renda impulsionadas
por empréstimos de R$300,00 que foram
usados em pequenos comércios etc.
Sandra
Carvalho - O Banco Popular é
uma referência em bancarização
para o bem e para o mal. Gostaria de um
balanço do Banco Popular que foi
criado pelo Banco do Brasil.
Gimenes
-É um projeto ainda em tempo de maturação,
mas que tem números importantes:
realizou R$250 milhões em microcrédito;
registra taxas de inadimplência menores
que as usuais; já possui 4.500 pontos
distribuídos no Brasil, em especial
no NE e NO; e levou o atendimento bancário
onde não seria possível o
Banco do Brasil estar. Finalmente estamos
hoje iniciando o período positivo
do ponto de vista do retorno do que foi
investido. Houve uma decisão estratégica
do Banco de fazer uma instituição
nova, à parte, justamente para que
seus balanços não fossem contaminados
pela grandiosidade do Banco. Para que pudéssemos
discutir com todos as dificuldades do caminho.
Sonia
Penteado - Dentro do tema Bancarização,
temos o dever de discutir estratégia
de tecnologia. Quais são os desafios
para a bancarização? Seriam
tecnologias mais baratas?
Laércio - O Bradesco tem o
Banco Postal. Ele já está
em 1.100 municípios que não
eram atingidos anteriormente trazendo oportunidade
de cidadania para essas populações
ao oferecer serviços de uma instituição
financeira. O Banco Postal tem clientes
que até a pouco tempo viajavam muito
para pagar uma conta. Quando voltavam já
encontravam nova conta para pagar. Era ruim
e custava muito para a pessoa. Encaramos
o Banco Postal e os correspondentes como
mecanismos de inclusão digital e
no sistema financeiro. Através deles,
as pessoas são atraídas pelo
modo operacional, equipamentos e sistemas
à distância. São veículos
extraordinários de cidadania e fazem
com que a economia gire no próprio
município, que não haja evasão
de dinheiro para as cidades que possuem
bancos. E proporciona para nós um
ganho de escala importante e alargamento
das divisas de atendimento.
Renato
Cuoco - A Bancarização
depende menos de tecnologia do que de desenvolvimento
econômico. Os correspondentes atendem
uma massa enorme de correntistas de baixa
renda. Instituições como Itaú
e Bradesco, por exemplo, abrem anualmente
10 milhões de contas para a camada
de baixa renda. Veja que os 23 milhões
de beneficiários do INSS já
estão bancarizados. Devemos imaginar
formas de crescimento econômico, com
canais apropriados, mas, sobretudo encarar
esse público como emergente não
alguém que será sempre de
baixa renda. Isso transcende a tecnologia.
Precisamos mais de tecnologia de desenvolvimento
que de tecnologia da informação.
Clarice
- É bom lembrar que estamos distantes
de atingir a massa da população,
calculada em 50 milhões de pessoas
em condições de bancarização.
Estamos longe disso. A Caixa tem 5 mil pontos
em pequenos negócios e municípios
desasistidos que levam os pagamentos de
programas sociais do governo federal. Temos
que lembrar que isso pode mudar os modelos
de negócios, mas a tecnologia continua
a mesma e pode ser mais cara ainda. Usamos
as mesmas aplicações e com
dificuldades operacionais maiores. Temos
de desmistificar a expressão: "para
esse público vai uma tecnologia mais
barata".
Internet
e Comunidades Virtuais
Wilson
Moherdaui
- A Internet é realmente um canal
relevante. Elaé um ambiente, por
definição, anárquico
e os bancos são exemplos de organização.
Veja que temos o exemplo do oferecimento
de empréstimo de pessoa para pessoa
em muitos blogs e comunidades, eliminando
o intermediário que seria os bancos.
Os bancos seriam alijados desse processo
de tomada de dinheiro e ter que remodelar
seus negócios em função
da anarquia desse ambiente?
Clarice
- Agora estamos chegando perto do ano de
2020. Deixara condição de
maiores emprestadores da sociedade? Acho
que vamos continuar com a máxima
que diz: todo mundo precisa de uma casa
e um Banco. Mas ele vai mudar muito o seu
papel, nos sentidos de uma prestação
de serviços mais integrada e intermediará
serviços de outros setores econômicos.
Pois é isso que a TI vai nos permitir.
Note que a TV Digital pode nos propiciar
ser um integrador de serviços muito
mais do que somos hoje. Para mim o ambiente
da Internet não nem organizado nem
caótico. Ele é neutro. Isso
define melhor o uso que os bancos fazem
e atingimos apenas de 10 a 15% das possibilidades
que a Internet abre. Por exemplo: O Computador
Popular, ou Computador para Todos, programa
no qual todos os bancos participaram, fez
com que - pela primeira vez no Brasil -
o mercado formal de venda de micros superasse
em vendas o mercado cinza. Para nós
é um ambiente neutro.
Renato
Cuoco - Sobre a desintermediação
financeira, temos que entender que existirão
novos players e novos negócios. Veja
que hoje um banco múltiplo oferece
uma gama enorme de serviços e nós
nos lembramos como eram os bancos múltiplos
no início. A intermediação
financeira é importante, mas os possíveis
"agiotas eletrônicos" fazem
parte do jogo e nem por isso o sistema ficará
abalado. Companhias negociam "commercial
papers" e debêntures num ambiente
desintermediado. O ambiente da Internet
não é uma coisa nem outra.
Ela é, antes de tudo, interoperabilidade.
Fizemos essa proposta de interconectividade
a custa de milhões de linhas de software
e muito esforço, e pago por toda
a sociedade. E isso ainda trará uma
série de novidades, como o VOIP (telefone
por internet), que significa a desintermediação
das operadoras de telefonia.
Comunidades
e jovens
Sandra
Carvalho
- Hoje o internauta mudou. Ele não
apenas procura informações,
ele as produz e compartilha. Proliferam
os sites de compartilhamento e o internauta
tem nas mãos o rumo que as coisas
estão tomando. Por exemplo, o Messenger
abriga hoje 19 milhões de pessoas
produzindo e não consumindo informações.
O que os bancos podem fazer com esse internauta
muito mais ativo?
Markun
- Essa é a mesma pergunta da platéia.
O Joaquim Kavakama, diretor do SIP, diz
que seus filhos de 17 e 20 anos acham os
produtos bancários chatos e pergunta:
o que os bancos vão fazer para não
perder esses novos clientes? O que a TI
pode fazer?
Laércio
- Os bancos sempre tiveram atenção
ao público jovem. Criamos poupança
própria, produtos específicos
e hoje nos preocupamos com os jovens conectados,
seus blogs e comunidades. . Encomendamos
recentemente uma pesquisa: "o que falam
de nós os blogs". Descobrimos
que 48% dos que falavam de bancos, falavam
do Bradesco, e alguns falavam mal. Isso
serve para que tomemos iniciativas. Essa
blogosfera é excepcional fonte de
informações e ainda não
temos ferramentas de pesquisa à altura
dessa rede silenciosa e crescente. Mas nós
temos que buscar esses nichos de informações
que vão permitir novos produtos e
soluções. Atualmente não
fazemos isso de forma consistente, mas esse
é um caminho a ser perseguido.
Renato: O canal internet é
o que mais cresce e se transforma. A internet,
hoje, é um grande canal de interação.
Prometo aos filhos do Joaquim que nossos
sites não serão chatos para
sempre.
Gimenes
- Os bancos segmentam a pirâmide de
forma horizontal, tratando de públicos
diferentes. Hoje, os grupos se organizam
na internet e oferecem uma oportunidade
aos bancos de desenvolver produtos para
essa clientela e para esse canal, ao capturar
as informações que eles mesmos
oferecem. O próprio meio facilita
você organizar e identificar soluções
adequadas.
Clarice - Essas redes, essas tribos são
formadoras de opinião. É uma
oportunidade para as equipes de ouvidoria
e comunicação dos bancos.
Elas podem ultrapassar os canais tradicionais
de ouvidoria. Mas vamos ter de criar ferramentas
para isso. Podemos estar perto de uma mudança
cultural dentro das instituições.
Esse grupo formador de opinião é
muito forte e pode balançar as estruturas.
Segurança
e a auto-fraude
Graça
Sermoud
- Renato, e a segurança? Acho que
os bancos estão dividindo essa responsabilidade
com o usuário. Imputam até
penalidades por negligência no uso
do serviço. Até onde vaia
responsabilidade do Banco e a do cliente?
Renato
- Os meios eletrônicos diversificaram
a possibilidade de fraude. Mas ela sempre
existiu: lembram do cheque falsificado?
Os processos melhoram, evoluem, mas o mal
também. Esses tais "chupa cabras"
são muito bem feitos, com versões
para todo tipo de ATMs até nacionais.
Como são também bem feitas
as falsificações na indústria
de motocicletas, bebidas e outras. O que
falta é legislação.
Pois investigar sites falsos e outros, a
Polícia Federal e os bancos fazem.
Essa mesa responde por 80% das tentativas
de fraudes no País. Se as equipes
de um banco detectam alguma coisa, avisamos
todo mundo. Mas não temos uma legislação
específica e penas específicas.
Por outro lado, a negligência existe!
Você não pode deixar a chave
de sua casa em poder de estranhos. Houve
um momento em que o pagamento de indenizações
era prática generalizada, e aí
conhecemos a auto-fraude. Temos muitos exemplos
dessa prática.
Markun
- Os bancos andam para trás nessa
questão. Um banco inventa um dispositivo
com mais de 400 números; outro um
chaveirinho que aperta e recebe informação;
mais um que oferece um software que só
funciona em determinadas condições
e não funciona em outras. Vocês
acham que essa fase, que é a de resposta
à ação dos bandidos,
vai ser ultrapassada? A segurança
será mais eficaz e teremos na internet
uma solução efetiva?
Renato
- A legislação tem que ficar
mais rígida. Porque na hora que você
efetivamente prender uma quadrilha, as outras
vão ficar preocupadas. Agora, Comodidade
e segurança são aspectos conflitantes.
É sempre difícil o balanço
entre segurança e conveniência.
Normalmente temos 3 chaves da nossa porta,
sem contar alarmes, e se não fosse
a bolsa da minha esposa, ficaria complicado
para mim...
Laércio
- Temos que aprender a conviver com
isso. , assim como no passado a falsificação
de cheques era um problema terrível
para o sistema financeiro. O que os bancos
fazem é investir e proteger o usuário
que é menos preparado para enfrentar
o crime eletrônico. Aqui no Brasil
não temos notícia de intrusão
em sistemas bancários, os bancos
são muito fortes e protegidos. O
lado cliente é que é vulnerável
e oferece a possibilidade de intrusão
para captura de dados. As tecnologias de
prevenção são muito
boas.Vemos aqui no Ciab a identificação
de face, no estande da Itautec, na Procomp;
vemos exemplos de identificação
biométrica. O parlamento dos EUA
está debatendo um projeto de lei
que torna as tecnologias de segurança
obrigatórias, e por quê? Porque
lá as fraudes beiram a cifra de US$1.8
bilhão no ano. No Brasil, temos um
dado da Febraban referente a 2005 mostrando
que os bancos pagaram indenizações
no total de R$300 milhões. Seguramente
há um balanceamento de investimentos
em segurança com a ocorrência
de fraudes.
Renato
- Mas há muito para se evoluir em
tecnologia. Achar que uma pessoa comum vai
desinfectar seu computador várias
vezes, é pedir muito, até
para nós tecnólogos.
Sandra Carvalho - Existem muitas
opções de antivírus
e antispyware. Por que os bancos não
os oferecem aos correntistas? Não
bastaria um acordo comercial?
Laércio
- O Bradesco já tem essa opção.
Nosso site oferece a possibilidade de transferir
esses produtos no mesmo acesso que o cliente
está fazendo.
Renato
- E essa possibilidade de entrada na máquina
do usuário, se não for bem
feita, se não for feita por um banco
ou empresa idônea, é problemática.
Pois ela também é uma forma
de se infectar com vírus. Essas armas
precisam evoluir e ficar mais baratas. Observo
que temos fraudes em cartões, temos
clonagem de telefones, para concluir que
esse processo não se dá só
em bancos. Todo processo tecnológico
tem etapas de maturação, e
enquanto isso se dá, ele fica vulnerável.
Clarice
- A notícia positiva é que
saímos da fase de correção
e partimos para a de prevenção.
Temos equipes que estudam dispositivos para
implementar, se antecipando aos problemas.
Outro destaque é que não temos
mais uma atuação individual.
Através do GTI de segurança
da Febraban iniciamos uma atuação
coletiva. Nós intensificamos a troca
de informações e estudamos
todos os tipos de ataques e conseguimos
implementar segurança a nossos clientes.
Mas também temos que pensar que foram
os bancos que propuseram esse padrão
de serviços e então a segurança
dele também é nossa responsabilidade.
Móbile
Bank - Pelo telefone mandaram me avisar.
Wilson
- Qual o principal desafio que vocês
enxergam no Móbile Bank? Os bancos
têm resistências à disseminação
do móbile porque não confiam
nos dispositivos ou em função
da segurança nas transações?
Gimenes
- O Banco do Brasil tem experiência
na expansão do móbile banking.
São 9 milhões de clientes
que podem fazer transações
a partir de celulares usando as mesmas senhas
da internet, com os mesmos mecanismos de
segurança.
Sonia
Penteado - Qual é o grau de adesão
dos clientes do Banco?
Gimenes
- De janeiro para cá tivemos 8 milhões
de transações. São
cerca de 1.3 milhões de transações
ao mês. Registramos 400 mil clientes
que acessam normalmente e com poucas consultas
ao help desk com dúvidas ou falhas.
Agora estamos implantando nosso móbile
no Japão. A maior dificuldade que
encontramos é que o usuário
tem que comprar um aparelho mais sofisticado
em termos de segurança. Posso dizer
que temos efetivamente um canal alternativo
que venha a suprir as necessidades de informações
e transação onde o cliente
estiver.
Sonia
- Uma pesquisa do IDC indica que a mobilidade
é uma das 3 prioridades para os próximos
24 meses nos bancos. Quais as estratégias
de vocês?
Laércio
- Mobilidade é a terceira onda de
interação. É o que
vem por aí. Ainda carece de aculturamento.
Temos mais de 3 mil tipos diferentes de
celulares, o que é um obstáculo
considerável para atender todas as
tecnologias diferentes. As mais novas recebem
melhor os serviços e o que os bancos
podem mandar para um equipamento móvel,
PDA ou celular. Ainda em 97 lançamos
o primeiro serviço explorando o WAP,
o sistema móvel transacional, mas
para se chegar a um nível maior de
utilização, com volume suficiente
para se consagrar, ainda vamos demorar alguns
anos, como foi com a internet, ATMs e outros.
Temos progressos. Recentemente desenvolvemos
junto a Finasa um sistema de PDAs para aqueles
que trabalham nas concessionárias
de carros. Isso é alta produtividade
em sistema móvel. O vendedor pode
fazer consultas e firmar contratos em movimento.
Renato
- Precisamos da evolução dos
próprios aparelhos celulares também,
até que eles apresentem uma interface
mais amigável. Não é
fácil trabalhar com aquelas telinhas.
É importante pesquisar e desenvolver.
Anos atrás criamos um sistema de
reconhecimento de voz que respeitava até
sotaques regionais. Achamos que iria ter
um uso massivo, mas hoje é só
mais um produto assim como aconteceu com
o WAP.
Laércio
- Na medida em que esses aparelhos tenham
novas utilidades, o sistema móbile
poderá tomar forma. Outro dia adaptaram
tokens em celulares, permitindo senhas aleatórias.
Há necessidade de maturação
e aceitação pelo público.
Clarice
- Os bancos tem produtos para móbile
e não vemos resistências nas
equipes de TI e de relacionamento. A Caixa
tem produtos já tradicionais para
celulares e PDAs, e introduzimos informações
e transações de serviços
sociais neles. Pelo telefone você
pode ter informações do seu
FGTS ou efetuar o pagamento do PIS. A tendência
é convergir todos os serviços
para esse canal.
Insônia
- O que lhes tira o sono?
Wilson
- O que tira o sono de vocês, como
profissionais de TI? É a segurança?
A terceirização? Sistemas
legados? Tendências? Alinhamento de
negócios a TI?
Laércio
- O que mais me tira o sono é uma
queda do sistema! O sistema fora do ar deixa
milhares de usuários sem condições
de suprir suas necessidades. Eu fico imaginando
um cliente que chega a um aeroporto distante
e não consegue sacar dinheiro no
caixa eletrônico. Porque não
há sistema infalível. Todos
tem ruído, e precisamos controlá-lo
e minimizar a gradação desse
ruído para não degenerar em
danos sistêmicos.
Gimenes
- Isso te tira do sério, tira o sono
e tira o emprego também. Além
disso, a complexidade e as parcerias são
o que mais me chamam a atenção.
Porque os fornecedores têm um compromisso
de participação, mas na hora
que a crise vem e o cliente está
desasistido, você fica sozinho. Nessa
hora quem paga é o funcionário
do banco. De forma geral, nós da
TI dos bancos somos criativos e conseguimos
um alto nível nos sistemas e otimização
dos meios disponíveis, e os parceiros
tem muito a ver com isso. Mas, às
vezes, você não tem um sistema
legado bom, à altura, e isso também
me tira o sono.
Clarice
- perco o sono com a questão da gestão
da equipe e da retenção de
talentos. O mercado de tecnologia é
crescente e sempre demanda profissionais
completos e experientes do modelo de negócios.
Aí perdemos os talentos que farão
muita falta. Mas minha insônia atual
é um projeto que já dura 3
anos para a completa migração
dos sistemas de rede, rede de comunicação
e equipamentos do canal lotérico
da caixa. São 9 mil casas lotéricas
em 3.628 municípios e com 25 mil
terminais para finanças e loterias.
Integramos todos num tipo só de máquina
equipada com sistemas linux.
Renato
- Hoje a gente perde menos o sono que alguns
anos atrás. Atualmente os sistemas
são mais previsíveis. O que
tira meu sono é quando acontece algum
problema e o fornecedor diz: "olha,
estou solidário com você";
ou "o que posso fazer por você".
Durma-se com um barulho desses!
Outsoucing
- O que não se deve terceirizar.
Graça
Sermoud
- O maior negócio dos fornecedores
de TI que atendem os bancos é a terceirização.
Qual a visão atual de vocês
sobre o outsourcing?
Renato
- a terceirização tem que
ser utilizada quando agrega valor, senão
é mistificação. Geralmente
os apaixonados por outsourcing falam de
sistemas legados, mas um sistema concebido
numa estrutura antiga não representa
dano total. Ele pode ser atualizado. Temas
como legado, cliente/;servidor e outros
correm o risco de tornar-se teologia e não
tecnologia. A terceirização
quando melhora, diminui custos e libera
recursos para o banco dedicar a outras atividades
será sempre bem vinda. O resto é
mito. Você pode deixar de pagar salários,
mas continuar pagando para outra fonte.
O outsourcing deve crescer com empresas
sólidas e com metodologias que nos
auxiliem na tarefa do desenvolvimento. Devem
ter uma visão que some conosco para
a formação e gestão
de pessoas, que é o nosso grande
capital.
Clarice
- O modelo de negócios das empresas
brasileiras amadureceu muito. Quando o assunto
é outsourcing, a Caixa provou de
todos os sabores e cores. Alguns negócios
evoluíram, outros decaíram.
Esse aprendizado do fracasso nos amadureceu
a todos. Elevamos o nível de prestação
de serviços para processos que se
deve terceirizar, mas aprendemos também
as coisas que não se deve por para
fora. O próprio modelo de negócios
não deve ser terceirizado, pois você
pode perder o próprio negócio.
Agência
do Futuro. O fim dos fios.
Sonia
- Esse debate é dedicado ao Futuro.
O nome faz um apelo para daqui a duas décadas.
Assim, como será a agência
bancária em 2020?
Laércio
- totalmente sem fio. Hoje temos cabos debaixo
de carpetes, de mesas, que demandam altos
investimentos e custos de manutenção.
.Além disso, a agência do futuro
é aquela capaz de atender o cliente
onde ele estiver. O funcionário atenderá
em qualquer ponto. Serão muito automatizadas
e não apenas dedicadas a serviços
bancários, mas pontos de negócios.
Gimenes
- A agência é um canal. Considerando
a necessidade de desenvolvimento econômico
e social do Brasil, a agência é
e será necessária. Temos,
por exemplo, agências que atendem
populações indígenas
que nem falam português e os funcionários
se comunicam por sinais. Ela é uma
praça onde há troca de cultura
e integração. É o ponto
de referência de aculturação.
Por outro lado, continuaremos a seguir as
demandas dos clientes e vamos nos modernizar
muito, sempre seguindo a necessidade do
cliente.
Clarice - Teremos a permanência
do ponto de venda, tradicional e físico,
mas com maior nível de automação
e de serviços, mais ferramentas,
customizado e acompanhando o cliente. Mas
não vejo uma agência que se
pareça com um telão ou uma
TV digital.
Software
livre divide bancos públicos e privados
Paulo
Markun
- Vamos abrir para mais perguntas da platéia.
O Cláudio Halley, gerente de TI,
pergunta sobre planos para utilização
de sistemas de código aberto e software
livre.
Clarice
- A Caixa investe a longo tempo em capacitação
de profissionais, pesquisa e testes nas
áreas de código aberto e software
livre. Dei o exemplo do projeto dos canais
lotéricos. Participamos de todos
os congressos e fóruns, inclusive
como patrocinadores. Customizamos já
diversas soluções em software
livre e desenvolvemos o suporte que o mercado
nos oferece. Apostamos e apostaremos nessa
tendência.
Gimenes
- Essa tendência tem um processo de
criação democrático.
Temos compromisso com ela. Inclusive, aqui
no Ciab, estamos apresentando um grande
case de implantação Linux
no Banco do Brasil. O software livre deve
ser incentivado e estimulado no sentido
de distribuição a outras instituições
Renato - O importante é não
ser teológico com a questão.
O processo de livre escolha é mais
importante que o software ser livre. O software
livre e ode código aberto são
mais opções que o mercado
nos propicia, devem ser usados quando trazem
valor estratégico para a instituição.
Laércio
- A questão parece dividir os bancos
públicos e privados. Usamos esse
tipo de software, mas não intensamente.
Por exemplo: oferecemos uma opção
ao usuário de "office Banking"
em software livre. Temos várias experiências
e incursões nessa área porque
entendemos que é nossa obrigação
ter contato com todas a variedade tecnológica
disponível.
Infra-estrutura.
Quando os caminhos devem ser abandonados.
Paulo
Markun
- O Robson Cerqueira, superintendente do
Banco do Sergipe, pergunta, para encerrar
esse nosso Roda Viva, como será a
infra-estrutura de TI em 2020? 30 segundos
para cada resposta
Gimenes
- devemos buscar a convergência de
recursos, simplificar ao máximo.
Adquirir soluções prontas
e ter um estágio adequado às
demandas.
Clarice
- Teremos um forte investimento em ATMs
e realizar um amplo acordo para viabilizar
máquinas com capacidade maior e com
menor custo.
Laércio
- Sistemas mais produtivos e que estejam
à altura de atender a instituição.
O fornecimento é ponto fundamental.
Quem está dentro de uma casa só
consegue enxergar até as paredes.
Os fornecedores nos trazem informações
preciosas. Assim as percerias serão
privilegiadas.
Renato
- Foco no cliente e atender aos negócios.
A TI deve ter os pés no chão:
simplicidade, produtividade e criar condições
para um processo evolutivo. Prospectar muito
em tecnologia. Devemos ter um olho sempre
nas novidades e reconhecer quando os caminhos
devem ser abandonados.
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