Inovação
Difícil com ela, impossível
sem
Artigo
do professor Edson Fregni, da Escola Politécnica
da USP
Fregni é o principal executivo da
Fregni Consultoria e coordenará o
painel Inovação Colaborativa,
no Ciab Febraban 2006
Inovar:
É
conquistar com armas novas. Ser diferente
e melhor. É explorar o que outros
não vêm. Aproveitar oportunidades.
É Renovar-se. Adaptar-se Re-criar-se
para vencer. É buscar ser diferente
com um propósito. É voar,
apesar de não se ter asas, inventando
asas. É, diferenciar-se da multidão
aos olhos dos clientes. É evoluir,
como Darwin ensinou.
(Resultado do "brain-storming"
entre Executivos do Setor de Serviços
- 2006)
É difícil definir o que é
Inovação. É também
difícil promovê-la. É
difícil fazer acontecer e é
difícil medir se está acontecendo.
Dificuldades rondam permanentemente a Inovação
e os processos que a fomentam. Isso a torna
ainda mais cobiçada e inatingível.
Inovação, ao que tudo indica,
é para poucos.
Introdução
O que é Inovação
Em primeiro lugar é preciso entender
que inovar é vencer com criatividade
o jogo do mercado, conquistando corações
e mentes dos clientes com as armas da inteligência,
do pensamento novo.
Em
segundo lugar, é preciso reconhecer
que Inovação é uma
capacidade. A capacidade que uma empresa
tem de se renovar. Uma empresa inovadora
é a que se adapta, que se prepara
para o futuro, que constrói o futuro.
A empresa inovadora age de maneira que outras
somente agirão mais tarde (às
vezes, tarde demais). A empresa que inova
olha seu negócio de ângulos
diferentes, de maneiras inesperadas, observa
seus clientes com olhar profundo. Olhar
esse que a distinguirá dos concorrentes
e que a premiará com a preferência
de seus clientes.
A
importância da Inovação
é algo que tem sido pouco disputada.
Considerando que inovar é distinguir-se
dos concorrentes de maneira que o cliente
valoriza, a Inovação torna-se
importante pela própria definição.
Gary Hammel, o guru da re-engenharia, era
mais enfático em 1966 quando afirmava:
"Admitamos. As empresas ao redor do
mundo estão atingindo os limites
do incrementalismo. Enchugando um tostão
ou outro dos custos, lançando produtos
no mercado uma semana antes do planejado,
respondendo às consultas dos clientes
um pouquinho mais rápido, melhorando
a qualidade num tiquinho aqui outro acolá,
capturando mais um decimal na participação
de mercado. Essas são as obsessões
do executivos os dias de hoje. Mas perseguir
melhorias incrementais enquanto que seus
rivais reinventam a indústria é
como tocar violino enquanto Roma se incendeia."
(Strategy as Revolution - Harvard Business
Review, julho-agosto de 1996)
Inovar é mudar
Convém
repetir: inovar é mudar. Se uma empresa
pretende mudar o mercado ela tem que, antes,
mudar a si mesma. Compare as diferentes
experiências da Apple Computers com
o Ipod e da IBM com o PC. Há 20 anos
atrás, a IBM perdeu a grande oportunidade
de mudar seu próprio negócio
com o surgimento dos computadores pessoais
(que ela própria organizou e ajudou
a inventar). Por isso, não foi ela,
de fato, quem inovou, quem mudou o mercado.
A Apple, por outro lado, mudou a si mesma
para mudar o mercado, quando lançou
mais uma solução inovadora,
o Ipod. Hoje ela é líder nesse
setor.
Adotar
o novo certamente implica em mudanças.
Quanto maior o movimento inovador, maior
a mudança que a empresa tem que promover
em si mesma. Assim, um dos requisitos primeiros
para uma empresa tornar-se inovadora é
ter prontidão para mudar. E saber
mudar, sem traumas maiores. Quem inova com
naturalidade, é capaz de mudar com
naturalidade.
Inovar é árduo
Existem
muitas barreiras à Inovação.
A principal delas, que toda empresa inovadora
tem que vencer, é uma barreira interna:
a resistência a mudanças. Os
diretores das grandes empresas deveriam
se perguntar diariamente, antes de começar
seu dia de trabalho, o que deveriam fazer
para aumentar a propensão a mudar
da empresa que dirigem. Sem mudanças,
todos sabem, acontece o declínio.
É assim na Natureza, é assim
no jogo das empresas. Ou você se adapta
ou você lidera e força os outros
a se adaptarem, ou fica estagnado e desaparece.
As empresas resistentes a mudanças
acabam mudando tardiamente, somente quando
a mudança for inevitável,
quando o novo se tornou prática consagrada
de mercado. Quando isso acontece, a empresa
já perdeu a oportunidade de se fortalecer,
perante seus concorrentes. Mudança
tardia é apenas defensiva, mudança
tardia é para permanecer no jogo
um pouco mais.
Faça
um teste. Pergunte-se como é mais
fácil, na sua empresa aprovar um
projeto que custe muito dinheiro. Alegando
que a idéia é nova e que tornará
a empresa mais competitiva, ou mostrando
que os concorrentes já o fazem e
que sua empresa está ficando para
trás. Essa é uma boa medida
da cultura inovadora de uma empresa.
A
maior dificuldade para uma grande empresa
inovar é o jogo de poder que existe
em suas fronteiras. O poder numa grande
empresa é mais difuso do que numa
pequena companhia. É por isso que
uma pequena empresa tem maior capacidade
de mudança, porque tem alguém
que decide e comanda a mudança (para
o bem e para o mal). Na empresa pequena
o processo decisório é mais
autocrático. A gestão aparentemente
democrática da grande empresa, a
torna mais imune a mudanças. Os gerentes
e diretores da grande empresa, confortáveis
em suas posições, resistem
a mudanças.
Inovar é correr riscos
Toda
mudança traz riscos. Riscos de falhar,
de ser mal sucedida. No caso de mudanças
inovadoras, esse risco é ainda maior
porque muda-se para algo novo, desconhecido.
Os
riscos são de naturezas diversas.
Existe o risco técnico, no qual a
boa idéia resulta não factível,
impossível de ser implementada com
os recursos tecnológicos existentes.
Depois vem o risco econômico-financeiro,no
qual os custos poderiam revelar-se maiores
que os benefícios esperados.
Tem
também o risco operacional, que advém
da possibilidade de falha na execução
do projeto inovador, quando a implementação
é ineficiente. Por fim, existe o
risco maior, o risco de fracasso comercial,
no qual o mercado poderia rechaçar
a boa idéia, não valorizando-a
como esperado.
Toda
empresa que inova, consciente ou inconscientemente,
enfrenta esses riscos.
O
enfrentamento dos riscos requer que a empresa
o administre, isto é, que os entenda
com antecedência, que monitore os
sinais que antecipam sua ocorrência,
e esteja pronta para agir imediatamente
após ter indícios de problemas.
Empresa
inovadora, além de criativa, tem
a competência central de gerir riscos.
Sem isso, todo projeto inovador de impacto
é uma bomba relógio em potencial.
Inovar é saber conviver com insucessos
Um
projeto inovador, por natureza, pode não
se revelar positivo. Isso é parte
da lógica inovadora. Não existem
certezas, não se tem garantias. Assim,
o desenvolvimento de uma idéia que
não funciona é muito útil
porque passou-se a saber que aquilo não
funciona. O importante é descobrir-se
que não funcionará o mais
cedo possível, de forma a se gastar
menos recursos por essa informação.
Christensen
e Bayner, autores de uma famosa série
de livros sobre Inovações
Desmoronadoras ("Disruptive Innovation")
lembram que os investidores de risco protegem-se
das perdas pelo insucesso: "Uma máxima
da indústria (de investimentos de
risco) diz que para cada dez investimentos
- todos feitos na crença de que serão
bem sucedidos - dois falharão muito
rapidamente, seis irão sobreviver
de maneira doentia, e apenas dois irão
dar certo. É desses dois últimos
que o sucesso de todo portifólio
de investimentos dependerá."
(The Innovator Solution).
Mitos
e Meias-Verdades
Não ignore detalhes importantes
Devido
às dificuldades e complexidades que
rondam o assunto Inovação,
existem crenças que não resistem
a uma observação mais acurada
e existem aspectos com tantas facetas diferentes
que a verdade se esfacela. Alguns desses
pontos são importantes serem tratados
aqui de forma que as confusões conceituais
mais comuns sejam mapeadas e endereçadas.
A
Editora da Escola de Administração
de Harvard publicou em 2005, na forma de
um extenso relatório, catorze artigos
sobre Inovação que apareceram
nas páginas do "Harvard Business
Review". Na abertura do relatório,
a editora justificou: "Todos sabem
que Inovação é vital
para a saúde corrente de toda organização.
É certo que a criação
de novos produtos, serviços, processos
e modelos de negócio alimenta o crescimento
não apenas das empresas, mas também
das economias nacionais e global."
(Innovation Handbook - A Road Map to Disruptive
Growth).
Inovação e Criatividade
- seria a mesma coisa?
Uma
empresa inovadora é criativa, embora
Inovação e criatividade não
sejam sinônimos. Criatividade é
alimento para a Inovação,
mas não é tudo. Criatividade
é a capacidade de pensar de maneira
diferente. É a criatividade que possibilita
ver novos caminhos, entendê-los. Enquanto
que Inovação é a capacidade
de trilhar esses novos caminhos. A IBM,
em 2004, era inda mais enfática quando
publicou: "Na verdade, a Invenção
tem sido sempre sido distinguida da Inovação
como rios são do oceano: um, claramente,
alimenta o outro. Uma grande ou brilhante
nova tecnologia que nunca influencia ou
provoca mudanças simplesmente não
importa. (...) É por causa disso
que nós precisamos definir Inovação
no século XXI como a intersecção
da invenção e inspiração:
nós inovamos quando novas pensamentos,
tecnologias, modelos de negócio ou
serviço realmente mudam a sociedade."
(Global Innovation Outlook - IBM)
Criatividade
é pré-requisito para a Inovação.
Assim, pode-se dizer que Inovação
tem propósito de fomentar negócios,
enquanto que criatividade busca a estética
- a estética do belo, a estética
conceitual, materializada na formulação
de respostas, de saídas. Ainda mais,
a criatividade é uma característica
dos indivíduos enquanto que a Inovação
é uma característica da empresa.
Quando
o Palo Alto Research Center (PARC) da Xerox,
no início da década de 70,
inventou o sistema de interação
homem-máquina através de janelas,
mouses e cliques, ela foi criativa mas não
inovadora. Quem acabou inovando foi a Apple
Computers e a Microsoft. Essas duas empresas,
com os sistemas operacionais do MacIntosh
e Windows, transformaram o mercado com as
idéias da Xerox.
Pequenas ou Grandes Empresas - onde a
Inovação se daria com maior
naturalidade?
Uma
grande empresa é quem está
mais bem preparada para inovar. Note-se
que uma pequena empresa pode ser criativa,
mas terá dificuldades em ser inovadora.
Porque a Inovação bem sucedida
promove mudanças nas regras do mercado,
impactando os clientes e os consumidores.
Uma pequena empresa tem acesso limitado
ao mercado e, por isso, torna-se muito difícil
para ela inovar. Seu alcance é restrito.
Uma grande empresa, por outro lado, tem
o poder de mercado, tem estrutura, tem capital,
tem influência. Coisas que faltam
a uma pequena empresa. Por isso, a capacidade
inovadora da grande empresa é maior,
muito maior.
Quando
uma grande empresa compra uma empresa com
idéias novas, a grande empresa está
comprando a criatividade da pequena, que
ela precisa para promover a Inovação
no mercado. A pequena empresa consegue ser
criativa, a grande consegue inovar.
Inovação Tecnológica
ou de Produto - por onde a inovação
se daria?
A
empresa mais competitiva é aquela
que busca mudar naquilo que lhe traz vantagens.
Busca adaptar-se às mudanças
que acontecem no meio ambiente, no mercado.
Ela busca, portanto, evoluir.
Tais
mudanças podem se dar em absolutamente
qualquer aspecto da empresa, em qualquer
ponto que a torne melhor, desde em aspectos
muito íntimos internos, como por
exemplo, a sua política salarial,
até naquelas coisas mais visíveis,
como por exemplo a sua imagem perante os
clientes.
Os
professores Mohan Sawhney e Robert Wolkott
da Escola de Administração
Kellogg (Chicago, Estados Unidos) definem
Inovação de maneira a enfatizar
a sua multidisciplinaridade. Eles escrevem:
"Inovação é a
criação de novos valores substanciais
ou radicais para clientes e empresas, por
meio da alteração dramática
de uma ou mais dimensões dos sistemas
de negócio existentes ou pela criação
de sistemas de negócio conpletamente
novos".
Em estudo recente Sawhney e Wolkott concluiram
que uma empresa quando é reconhecida
como inovadora, ela promove mudanças
em mais de um aspecto de sua maneira de
existir. Ela muda internamente e externamente,
ela muda em coisas que o cliente vê
e em coisas que o cliente sente, mas não
vê. Ela pode mudar seus produtos,
seus canais de acesso aos clientes, seus
processos, sua estrutura organizacional,
sua marca, suas políticas, seus planos,
seu jeito de agir, sua cultura, seu nome,
sua área de atuação,
etc. Pode mudar em tudo. Muda-se qualquer
coisa para sobreviver. Não mudar
é morrer. Porém, nunca se
pode esquecer que, mudar sem vantagens é
morrer mais rápido.
Assim,
a empresa que se destaca como inovadora,
inova em múltiplos aspectos, não
apenas em produtos.
Inovação Radical ou Incremental
- o que se recomendaria?
No
caso da Inovação Incrementa,,
pode-se inovar passo a passo, gradualmente,
um pouco por mês, um pouco por ano.
De maneira sistemática e disciplinada,
a Inovação Incremental acontece
em algumas empresas. Existe também
a Inovação Radical, onde a
empresa inova num único movimento
de transformação, num único
gesto que foi preparado por anos anteriores.
Um movimento inovador pode se situar entre
esses dois extremos.
Não
existe fórmula correta, depende de
cada caso, de cada empresa. O que parece
sensato é fazer o que é mais
natural para a empresa e para seu jogo competitivo.
Se a idéia inovadora é daquelas
que dificilmente os concorrentes pudessem
formular por eles mesmos, talvez seja mais
eficaz surpreendê-los com um lançamento
completo, por inteiro, radical. No caso
que a mesma Inovação possa
estar sendo formulada nos laboratórios
dos concorrentes, ou possa ser descoberta
por eles antes do lançamento, organize
o movimento de maneira incremental. Antecipe
o mais que puder a versão 1, mesmo
com características incompletas.
O aprendizado que levará a melhorias
na versão 2 se dará mais rapidamente.
Novo a empresa ou novo para o mercado
- o que se deve buscar?
É
comum existir a dúvida se um projeto
de algo, que seja conhecido pelo mercado
e novidade para a empresa, pode ser considerado
de Inovação. Essa pergunta
é importante para toda empresa que
tem orçamentos e departamentos dedicados
a promover a inovação dentro
da empresa.
Se
aceitarmos a definição de
que inova aquele que oferece algo novo que
o cliente valoriza, essa dúvida deixa
de existir. Tem que ser novo para o cliente.
Se o cliente já experimenta a mesma
novidade de empresas concorrentes, então
o projeto não seria inovador, seria
sim para recuperar-se do atraso perante
concorrentes inovadores, seria um projeto
para seguir o líder. É inovadora
a iniciativa que promove uma novidade que
o mercado valoriza.
Impacto de curto ou de longo prazo - onde
se deveria investir?
A
inércia da competitividade empresarial
é grande. Competitividade tem inércia
grande porque é difícil modificá-la.
Para isso é necessário ou
muita energia ou muito tempo.
Em
se tratando de inovação, o
mais comum é promover resultados
de longo prazo. Dificilmente uma mudança
inovadora cria energia em tal monta que
a competitividade se altera instantaneamente.
Esse seria o caso de uma inovação
radical que provoca um furor no mercado
- e a empresa consegue com muita rapidez
atender a demandas avassaladoras desse mercado.
Esse caso é raro. Muito raro.
Inovação
promove impactos no longo prazo. Isso significa
que quem é responsável pela
inovação deve ser muito cuidadoso
com expectativas irreais, com promessas
levianas.
Os
esforços inovadores de uma empresa
não podem se voltar a necessidades
de curto prazo. Esse assunto deve ser tratado
pelas ações de dia a dia,
aquelas voltadas a melhoria das operações
e dos produtos.
As Métricas da Inovação
É importante medir
Se
uma empresa deseja ser inovadora (seguindo
ou liderando) ela deve encontrar uma forma
de medir se está ou não atingindo
esse propósito, se está ou
não inovando. Existe um antigo jargão
do mundo da gestão empresarial que
precisa ser lembrado aqui: somente se controla
e se aperfeiçoa aquilo que se mede.
Medir o caráter inovador de uma empresa
que deseja inovar é, certamente,
necessário.
Se
entendermos que Inovação é
o uso de criatividade para construir o novo
com vistas a tornar a empresa mais competitiva,
a medida de quão inovadora uma empresa
é deverá levar em conta o
teor de competitividade da empresa perante
seus concorrentes. Além de medir
se a empresa está ou não conseguindo
ser inovadora, é preciso saber quais
iniciativas da empresa contribuíram
para isso. Afinal, orçamentos específicos
são normalmente alocados para projetos
que promovam a inovação. O
controle desses recursos orçamentários
requer que se conheçam os impactos
das iniciativas na transformação
da empresa. Além disso, em algumas
vezes, deseja-se premiar uma área
ou um executivo pela sua contribuição
ao movimento inovador da empresa (prêmio
do inovador do ano, por exemplo). É
preciso que a escolha desse executivo ou
desse departamento da empresa seja feita
com critérios claros e objetivos.
Quaisquer
que sejam essas razões, é
necessário que se invista em medir,
que se criem processos de medida da capacidade
inovadora da empresa.
O que medir, como medir.
A
medida deve ser o mais direta possível
e deve ser reconhecida e aceita por todos
os envolvidos no processo. Medidas muito
indiretas podem perder todo o significado
para as pessoas. Alem disso, quanto mais
indireta uma medida for, mais ela sofrerá
interferência de fatores estranhos
a seu propósito. Por exemplo, medir
o impacto que um programa de desenvolvimento
de lideranças tem sobre a competitividade
de uma empresa através da avaliação
da melhoria no clima interno é muito
indireto. O clima organizacional pode ser
impactado por muitos outros fatores internos
e externos à empresa, e não
deveria ser um indicador da eficácia
do programa de desenvolvimento de lideranças.
Para
ser entendida e aceita por todos, com poucas
ressalvas, é preciso que a medida
de Inovação seja a mais direta
e objetiva possível.
Medir
diretamente a Inovação é
medir o quanto a empresa melhora a competitividade
graças ao seu caráter inovador.
Dois
pontos dificultam e talvez impeçam
que se tenha uma boa medida de Inovação.
Em primeiro lugar é muito difícil
medir-se que parte do ganho em competitividade
é devido à Inovação.
Não se consegue isolar o impacto
da Inovação na empresa, porque
a empresa toma milhares de outras medidas
que também impactam a competitividade.
Adicione-se a isso a dificuldade de saber
o grau de Inovação que uma
certa iniciativa ou um certo projeto tem.
Classificar um certo projeto como inovador
ou não sempre gera polêmica,
porque depende do grau de novidade do projeto.
Em
segundo lugar, não se consegue medir
competitividade com precisão. A competitividade,
como a capacidade de vencer os concorrentes
pela preferência dos consumidores,
é algo fácil de se falar porém
muito difícil de se atribuir um número
a essa capacidade. É preciso analisar-se
este assunto mais detidamente.
Medindo o caráter inovador de
uma iniciativa.
Para
se saber o caráter inovador de uma
particular iniciativa, é preciso
avaliar o quanto de novo ela tem e se o
que tem de novo tem valor. Nem sempre a
novidade tem valor. É como na velha
a história de um examinador numa
banca de doutoramento que sentencia ao candidato:
"sua tese tem idéias boas e
novas; pena que as novas não sejam
boas e as boas não sejam novas".
Na avaliação se uma iniciativa
ou um projeto é inovador, deve-se,
em primeiro lugar perguntar: o que tem de
novo é novo para quem? Para a própria
empresa? Para seus concorrentes? Para o
mercado? Para o mundo? Pergunte ainda, se
é o caráter da novidade em
questão que promove a melhoria na
competitividade. Seria a novidade o que
interessa ao mercado e tornará a
empresa mais competitiva, com melhor desempenho
que seus concorrentes?. Para ser inovadora,
a novidade contida na iniciativa tem que
ser percebida e valorizada pelos clientes.
É mais fácil saber se é
novo ou não. Porem se é valorizado
pelo mercado é algo que necessitaria
de uma pesquisa mais direta.
Medindo o impacto na competitividade.
A
cada ano, a competitividade de uma empresa
pode melhorar ou piorar, independentemente
de ter ou não criado novidades de
valor para o mercado. Isso porque a capacidade
de competir é algo complexo e impactado
por uma extensa de cadeia de causa e efeito.
A maioria das coisas que uma empresa faz
afeta a competitividade. A forma como contrata
as pessoas, o clima interno, os recursos
produtivos, a imagem no mercado, a linha
de produto, a qualidade dos produtos, a
forma como trata os fornecedores, a forma
como se relaciona com a imprensa e com as
autoridades, o lobby que exerce, enfim,
a lista é sem fim. Como saber se
uma eventual alteração na
competitividade decorre desta ou daquela
iniciativa? É praticamente impossível.
Assim,
por mais que tenhamos nos oposto a isso,
resta apenas que se aceitem medidas indiretas,
incompletas e imprecisas. Por exemplo, pode-se
adotar como indicador do impacto da Inovação
na competitividade da empresa o porcentual
de faturamento de novos produtos naquele
ano, ou as receitas advindas de canais de
comercialização inovadores.
Aceitar-se ia, nesse caso, que a empresa
seja considerada tão mais inovadora
quanto maior for a parcela do faturamento
advinda de produtos novos ou de canais de
comercialização novos. Obviamente
não se pode dizer que esses indicadores
são perfeitos, ou mesmo que sejam
bons. Mas muitas empresas adotam esse tipo
de indicador porque é o melhor que
conseguem fazer. Devemos, quando as dificuldades
são grandes, nos contentar com aquilo
que é suficientemente bom, ou mesmo
com aquilo que é factível.
O
principal defeito desta definição
decorre de considerar-se apenas as inovações
em produtos ou em canais. Ignora-se que
a empresa pode inovar em muitos outros aspectos
alem do lançamento de novos produtos
ou da criação de novas formas
de comercialização.
Inovar para Crescer
Objetivos da Inovação
No
mundo empresarial moderno, a necessidade
de crescimento existe tanto nas empresas
grandes quanto nas pequenas. Acredita-se
que, ou uma empresa cresce ou ela definha.
O mercado de ações sempre
premia as empresas que crescem acima dos
planos. Crescer, crescer. Todo ano, todo
trimestre, todo mês. É imprescindível
crescer.
Uma
empresa rica, com suficientes recursos financeiros
disponíveis, ela consegue crescer
adquirindo outras empresas. Ela compra clientes,
compra linha de produtos, compra capacidade
produtiva.
A
alternativa ao crescimento por aquisição
é o crescimento orgânico, onde
se cresce mais lentamente (lembre-se da
inércia!) dentro do próprio
mercado, com os próprios produtos,
conquistando cada vez mais as preferências
dos consumidores e, de tempos em tempos,
lançando novos produtos ou aventurando-se
em novos mercados.
É
no contexto do crescimento orgânico
que a Inovação torna-se importante
para todos da empresa.
É
com a Inovação que se inventam
novas maneiras de se relacionar com clientes
e ganhar suas preferências, que se
criam novos produtos, que se desenvolvem
novos canais de comercialização,
que se aperfeiçoam a operação
da empresa. Dessa forma, a Inovação
torna-se o principal ingrediente para o
crescimento orgânico.
Conjecturas
Parece ser correto afirmar:
1
- Tem se mostrado muito complicado encontrar
formas de se medir se uma empresa é
mais ou menos inovadora que outra. O "Balanced
Score Card" parece um excelente instrumento
para ser usado no acompanhamento da capacidade
de inovação de uma empresa
e se essa capacidade está sendo,
de fato, utilizada.
2
- A Inovação cooperativa deve
ser buscada, com parceiros, clientes e até
com os concorrentes. Na cooperação,
idéias e técnicas fluem entre
os que cooperam. Os que têm maior
capacidade de execução mais
se beneficiarão dessa troca. Portanto
o que se recomenda é que se coopere,
mas antes, assegure-se de que os obstáculos
à competência de execução
sejam removidos.
3
- Premidas pelo dia-a-dia sufocante, muitas
grandes empresas não se preocupam
com a inovação, apoiando-se
em empresas de tecnologia ou consultorias
para ajudá-los a manter-se atualizados
com as mudanças desejadas pelos clientes.
Essa é uma fórmula aceitável
desde que se encontrem fornecedores confiáveis
e competentes.
4
- A criatividade e a capacidade de mudar
são dois principais requisitos para
uma empresa ser inovadora. Assim, se uma
empresa deseja melhorar sua capacidade de
inovação deve antes olhar
para esses dois aspectos e buscar meios
de melhorá-los.
5
- Os mecanismos de bonificação
dos executivos nas empresas procuram basear-se
em resultados concretos obtidos pelo executivo
ao longo do ano. Assim se estimula o bom
desempenho, atrelado a resultados. As ações
inovadoras, no entanto, produzem resultados
no longo prazo. Por isso tais mecanismos
de recompensa por resultado, na verdade,
desestimulam que se inovem numa empresa.
Para ser inovadora, a empresa deve encontrar
uma solução para esse conflito.
Cabe agora a você, caro leitor, expressar
sua opinião a respeito deste texto
em especial sobre as conjecturas acima.
Gostaria de conhecê-la. Agradeceria
receber mensagem sua em: edson@fregni.net.
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