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3º
SEMINÁRIO FEBRABAN DE ECONOMIA
30
de novembro de 2004: Uma avaliação dos 10 últimos
anos do sistema financeiro brasileiro
Pronunciamneto
de abertura de Márcio Cypriano
presidente da Febraban
Senhoras
e Senhores e autoridades presentes.
O setor bancário brasileiro está mudando, e muito.
Os sinais da transformação são diversos: novos
participantes, regras diferentes, padrões de concorrência
mais acirrados, maior diversidade de produtos e serviços,
canais de distribuição mais rápidos, padrão
de publicidade agressivo e grande atenção à
gestão e controle de riscos.
O sistema está mais dinâmico, aberto e competitivo.
Neste evento, vamos analisar o que mudará na próxima
década, como evoluirá o setor bancário e qual
será sua contribuição para o desenvolvimento
da Nação.
Nas últimas décadas desenvolvemos know how em administrar
problemas. Revelamos habilidade e criatividade para enfrentar crises.
Agora, o desafio mudou. Temos que nos planejar num mundo em permanente
mudança.
Um reposicionamento estratégico do País está
na ordem do dia.
O ponto mais importante, sem dúvida, é a superação
da restrição de crédito. É fato, a taxa
de juros tem de cair. É um problema grave e suas causas estruturais
têm de ser superadas.
Por não ser uma novidade, é assunto para ser enfrentado
com determinação.
É necessário focar a atenção nas quatro
causas básicas dos juros altos: contas públicas, tributação
explícita, tributação implícita e a
legislação.
Em relação à primeira causa houve muitos avanços
nos últimos anos. Aprovamos leis como a da Responsabilidade
Fiscal, acabamos a conta movimento do Banco do Brasil e conseguimos
superávits primários sucessivos. Mas ainda há
espaços importantes a conquistar na gestão das contas
públicas.
A segunda causa que onera os juros e que merece uma profunda reflexão
é a tributação explícita do setor bancário.
Os tributos emperram a intermediação financeira. Os
recursos dos poupadores têm uma parcela expressiva direcionada
para impostos como IOF, CPMF, PIS, Cofins, Imposto de Renda e Contribuição
Social, com alíquotas extorsivas e uma racionalidade discutível.
A tributação bancária é agravada num
cenário de juros baixos porque alguns tributos, como CPMF
e IOF, têm alíquotas fixas, portanto, bloqueiam juros
abaixo de um determinado patamar.
Para baixar os juros é premente analisar hoje, neste seminário,
como racionalizar a tributação bancária e desonerar
a intermediação. Uma questão das quais não
podemos nos esquivar é como tributar o setor bancário
de uma forma a preservar receita e, simultaneamente, baixar a cunha
bancária.
A terceira causa do juro altos é a tributação
implícita sobre as instituições bancárias.
Um exemplo é o recolhimento compulsório, que, mesmo
após a recente redução, continua o mais alto
do mundo. São mais de cem bilhões de reais nos cofres
do Banco Central do Brasil que poderiam ser direcionados ao crédito.
A quarta causa que eleva o juro é a legislação
que, mal aplicada, acaba criando distorções. Ao invés
de promover o equilíbrio entre as partes, tem um efeito oposto,
isto é, encarece o crédito para quem precisa dele.
O excesso de recursos protelatórios e a demora excessiva
na execução de contratos bancários aumentam
severamente o custo da inadimplência. Processos de cobrança
demoram meses, às vezes anos, onerando toda estrutura do
Judiciário e do setor bancário.
Boa parte da atual legislação foi preparada na primeira
metade do século passado e não acompanhou a evolução
da sociedade. Temos que modernizar e proteger os direitos das partes
envolvidas.
Os bancos não querem, não fomentam e não causam
juros altos. Eles se adaptam às circunstâncias, como
se adaptaram à inflação e à turbulência
macroeconômica. O cenário de juros baixos é
o almejado e mais conveniente para os bancos.
Há outros pontos que devem ser objetos de reflexão:
Basiléia II, independência do Banco Central e sustentabilidade.
Basiléia II é um reflexo positivo da globalização
financeira. O novo acordo, também conhecido como Nova Basiléia,
vai substituir o acordo de 1988. A versão final foi publicada
em junho último.
Nos próximos anos, Banco Central, Febraban e bancos vão
trabalhar em parceria e muita transparência para adaptar o
sistema financeiro brasileiro às novas regras.
Não podemos nos esquivar de analisar a questão da
independência do Banco Central. A atual equipe é competente
e sua atuação é transparente e técnica.
Com independência legal, haverá avanços de credibilidade.
Pensando no futuro, a questão da sustentabilidade tem que
ser analisada em suas três dimensões: a social, a ambiental,
e a produção de serviços bancários de
melhor qualidade, a um custo mais baixo para camadas maiores da
população.
É importante também pensar sobre o papel dos bancos
e sua inserção na comunidade, e a promoção
de relações sociais duradouras entre diretores, gerentes,
bancários, acionistas, sindicatos, fornecedores, clientes,
governo em todos os níveis, ONG´s e mídia.
Ao refletir sobre os próximos dez anos temos também
que abordar as tendências, as influências e as barreiras
a serem superadas. É crucial olhar para a economia e suas
transformações, os impactos da globalização,
a informalidade, a política monetária, o papel do
crédito direcionado, a tecnologia, os novos instrumentos
financeiros e a consolidação do setor.
É imperativo trabalharmos por um sistema bancário
estável, eficiente e justo. Sem isso, não teremos
crescimento sustentado. Os bancos têm um papel imprescindível
no financiamento do desenvolvimento, do qual não se pode
abrir mão.
A lista de temas é extensa, mas temos aqui presente o que
há de melhor no País para analisar essas questões.
Senhores, temos uma agenda rica, relevante e interessante.
Desejo a todos um bom evento e um bom dia.
Muito obrigado!
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3º
Seminário de Economia Bancária
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