Discurso do presidente da Febraban - Federação Brasileira de Bancos,
no Jantar Anual de Confraternização dos Dirigentes de Bancos, Márcio
Cypriano, em 2/12/2004.
Senhoras e senhores.
A
Febraban sente-se muito honrada pelas autoridades presentes e agradecemos
pelo prestígio conferido ao nosso evento de confraternização.
Meu
muito obrigado também à equipe da Febraban e aos meus
colegas de Diretoria pela motivação e trabalho responsável
deste primeiro ano de gestão. Agradeço ainda a todas
as pessoas, empresas e instituições que, de alguma
maneira, colaboraram conosco em 2004.
Embora
o ano ainda não tenha terminado, já podemos afirmar
que foi um período produtivo. Isto nos dá confiança
e otimismo para 2005. Temos certeza de que o País continuará
evoluindo no sentido da inclusão social e da modernização
econômica.
Há
um ano, o clima reinante era de ceticismo. Hoje, já é
certo que o PIB cresceu em 2004. É possível que encerremos
o ano com crescimento superior a 5%, o que é muito significativo.
Essa
é a maior taxa registrada desde 1995.
As
estatísticas dão conta de uma recuperação
também expressiva nos níveis de emprego e renda. E,
desta vez, estamos nos referindo a empregos de qualidade, criados
no mercado formal e com carteira assinada.
Muitas
empresas brasileiras apontaram lucro recorde entre janeiro e setembro.
O volume de investimento vem apresentando sinais de recuperação.
Os
resultados da Balança Comercial continuam a trazer tranqüilidade
em relação às contas externas. O volume de
exportações deverá encerrar o ano próximo
à marca histórica de US$ 100 bilhões.
A
política econômica manteve-se prudente e se tornou
fator relevante para o planejamento e as decisões da iniciativa
privada. O Orçamento da União está sendo cumprido
e as metas de superávit primário foram alcançadas.
A inflação segue sob controle.
São
dados positivos que estão sendo percebidos no plano externo.
Como conseqüência, o risco País caiu. E ainda
há espaço para cair mais.
Desejo
tratar agora de uma questão que interessa aos bancos mais
de perto. E, de maneira direta, a toda a sociedade. Falo da concessão
de crédito.
Mesmo
em anos de fraco desempenho econômico, nunca deixamos de ampliar
o volume de crédito concedido. Nos últimos três
anos, a carteira de empréstimo dos bancos aumentou em mais
de 36%. Só este ano, e me refiro a dados de outubro, o aumento
foi superior a 18%.
Os
bancos fizeram sua parte. A crítica recorrente de que somos
restritivos no crédito e de que a oferta seria escassa é
injusta.
Mas
nossa contribuição para a retomada do crescimento
pode e deve ser maior. Para isso, precisamos trabalhar para modernizar
o processo de intermediação financeira, reduzindo
os estrangulamentos que impedem o livre fluxo de recursos entre
bancos e sociedade.
Além
desse problema estrutural, temos fatores conjunturais. Sentimos
que o volume de empréstimo só não foi maior
pela falta de novos projetos de investimento. A falta de mais tomadores,
entre outras coisas, indica que é preciso estimular a confiança
dos empresários.
Recuperar a confiança para investir: creio que esse é
o ponto que deve orientar nossas ponderações e guiar
nossas ações no próximo ano.
As estatísticas mostram que o nível de investimento
na produção reagiu no terceiro trimestre, o que é
positivo. Mas ainda é cedo para dizermos que essa reação
significa uma mudança de tendência.
Precisamos
que as empresas tenham como rotina lançar planos anuais de
investimento. Precisamos espalhar novas plantas industriais em todo
País, colocar novas linhas de produtos na gôndola dos
supermercados e redes de varejo, incentivar o surgimento de mais
empresas.
Em
março, quando da posse da atual diretoria da Febraban, expressei
minha certeza de que o Brasil estava pronto para iniciar um ciclo
de desenvolvimento social e econômico sustentado, duradouro.
Avançamos
desde então. Mas podemos fazer muito mais.
O
governo já deixou suficientemente claro que seguirá
a linha da estabilidade monetária. Muito bem. Este é
um pressuposto do bom funcionamento da economia.
Mas
chegou a hora de pensarmos em ações concretas que
acelerem o processo de investimento. Só assim teremos crescimento,
geração de empregos e aumento da renda, sem ameaçar
o equilíbrio macroeconômico.
Não
podemos ser tímidos.
Precisamos
de um conjunto de medidas firmes e coerentes que nos leve rumo ao
desenvolvimento de longo prazo.
Em
2004, a eleição de prefeitos e vereadores atrasou
os trabalhos do Congresso, o que é compreensível.
Em 2005, Senado e Câmara têm a pauta livre para discutir
questões fundamentais para a economia, e que se arrastam
há tanto tempo. O desafio também está colocado
à administração federal. O momento de agir
é este.
Gostaria de lembrar aos senhores alguns pontos que temos discutido
com insistência. São problemas que devem ser foco permanente
de atenção do governo e da sociedade.
O
Brasil necessita de investimentos substanciais e urgentes na área
de infra-estrutura. Sem isso, será impossível manter
algum ritmo de crescimento, ainda que moderado.
Temos,
tramitando no Congresso, o projeto das Parcerias Público-Privadas.
Há empresários interessados e capacitados. E nós,
bancos, temos disposição e capital para emprestar.
É justificado que o Congresso tome todas as precauções
em um assunto tão importante. Mas é preciso também
que se tenha o sentido da urgência. Sem uma lei adequada,
os investimentos não se realizarão.
A
Reforma do Judiciário foi parcialmente aprovada. É
um avanço importante e poderá ter efeito positivo
sobre o ritmo de tramitação dos processos. A situação
atual contribui para restringir investimentos.
A
burocracia merece também ser tratada como prioridade. No
Brasil, o tempo de abertura e fechamento de uma empresa é
maior que em outros países. É um anacronismo que não
combina com uma economia moderna e que ganha competitividade ano
após ano.
Essas
são apenas algumas das questões. Há outras,
como a da legislação trabalhista atual, que até
prejudica o trabalhador em vez de protegê-lo. Ou a dos marcos
regulatórios, cuja imprecisão também inibe
a atividade econômica. A independência das Agências
Reguladoras é outro sinalizador importante.
Temos
certeza de que teremos sucesso na construção dessa
agenda em prol de mais investimentos na produção.
Pois do seu lado, a sociedade brasileira tem feito progressos magníficos
nos últimos anos. Formamos uma democracia madura, sustentada
em instituições responsáveis.
No
Brasil, bancos, empresas e trabalhadores desenvolvem hoje ações
de responsabilidade social que revelam uma consciência evoluída
a respeito de problemas sócio-ambientais e de inclusão
social.
Os
bancos são referência e exercem a liderança
em ações de responsabilidade social. Atuamos com a
convicção de que o mais importante é trabalhar
concretamente para ajudar a resolver os problemas.
Cada
vez mais, como se pode ler nos Balanços Sociais publicados
pelos bancos, programas e metas de responsabilidade social se integram
às nossas estratégias empresariais. Somos, ainda,
um exemplo a ser seguido em práticas de concorrência,
de respeito a clientes e acionistas, de clareza e transparência
em suas informações ao mercado.
Gostaria
de reiterar: estamos preparados para o melhor. É chegado
o momento de construir, no Brasil, uma cultura voltada ao desenvolvimento.
Construir um projeto que envolva e comprometa todos os segmentos
da sociedade em torno da prioridade do crescimento e redução
da desigualdade social.
A
Febraban está a postos para contribuir nessa tarefa.
Muito
obrigado
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