Pronunciamento do vice-presidente da Federação Brasileira de Bancos
- Febraban, Fabio Colletti Barbosa, no 4º Seminário Febraban de Economia,
em São Paulo. O evento foi realizado dia 21 de novembro, no Hotel
Intercontinental (Alameda Santos, 1.123 - Jardim Paulista).
Bom
dia a todos,
Em
nome da Febraban quero agradecer a presença de todos a este
4º SEMINÁRIO FEBRABAN DE ECONOMIA, cujo tema - "REFORMAS
PARA ACELERAR O CRESCIMENTO: A CONTRIBUIÇÃO DO SISTEMA
FINANCEIRO" - não poderia ser mais apropriado neste
momento em que o País assiste a uma grave crise política
que, pela primeira vez, não se reflete imediatamente nos
mercados financeiros.
Mas essa crise não deixa de ser danosa para a economia. Ela
prejudica justamente porque retarda a aprovação das
reformas que são necessárias para acelerar e dar sustentabilidade
ao crescimento econômico.
E a
prova da necessidade das reformas está nos balanços
dos bancos. É só ver quando o crédito tem contribuído
para os resultados dos bancos ao longo deste ano.
É
claro que o crescimento do crédito refletiu o crescimento
da economia, do emprego e da renda. Mas não foram somente
as condições macroeconômicas que levaram o estoque
total das operações de crédito do sistema financeiro
crescer 18% nos doze meses concluídos em setembro e a participação
do crédito no PIB chegar a 28,9%, 3 pontos percentuais acima
dos 25,7% de setembro de 2004.
É
importante ressaltar a importância das reformas microeconômicas
aprovadas nos últimos anos para essa expansão do crédito.
Principalmente o acesso ao mercado financeiro formal de uma enorme
legião de cidadãos brasileiros decorrente da regulamentação
do crédito consignado.
O empréstimo com desconto em folha demonstrou que a redução
do risco é um fator primordial para a redução
das taxas de juros.
Também comprovou que juros mais baixos são lucrativos
para os bancos, pois impulsionam o negócio tradicional de
banco, que é a intermediação financeira.
Outras reformas, menos visíveis do que o crédito consignado
seguiram no mesmo caminho. É o caso da criação
da Central de Risco do Banco Central, da Lei das Sociedades Anônimas
e da nova lei de Recuperação de Empresas.
E da mesma forma, a Lei 10.931 que criou o patrimônio de afetação
reduziu a percepção de riscos em torno do crédito
imobiliário, propiciando uma expansão das operações.
Isto tudo, no entanto, é só uma amostra do que os
bancos poderiam fazer se estivessem livres para exercer, de fato,
a atividade da intermediação financeira, que é
sua razão de ser.
Infelizmente,
dada a incapacidade crônica do estado brasileiro viver de
acordo com o que arrecada - e a carga tributária brasileira
é das maiores do planeta - a oferta de crédito é
garroteada por níveis de recolhimento compulsório
siderais, desconhecidos em qualquer outro país do mundo.
Sem falar nos direcionamentos de crédito, que distorcem perversamente
a formação das taxas de juros.
Pela
qualidade dos participantes, temos certeza que os debates neste
seminário trarão contribuições importantes
sobre a participação do sistema financeiro no crescimento.
Por isso, vamos iniciar o programa sem mais demoras.
Meu
muito obrigado a todos os presentes e também à equipe
da Febraban que organizou este evento. E meus cumprimentos, em nome
da diretoria da Febraban, aos premiados deste ano.
Um
bom seminário a todos!
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