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Por
que os juros são altos no Brasil
04.06.2003
A manutenção de juros altos não interessa a ninguém, nem mesmo
às instituições financeiras, ao contrário do que querem fazer
entender alguns analistas apressados e aqueles que acreditam
que os bancos são os responsáveis pelas elevadas taxas de
juros. Todos sabem que juros altos inibem a atividade produtiva,
restringem o consumo, aumentam o desemprego e levam a baixo
crescimento. E não é esse o quadro que desejam as instituições
financeiras, cujo negócio principal deve ser financiar a produção
e o consumo.
Mas, diferentemente do que ocorre em outros países, onde os
bancos vivem de emprestar dinheiro aos clientes, no Brasil
o grande tomador de empréstimos é o governo, que precisa financiar
seus enormes déficits. Os juros são altos porque o governo,
maior devedor da economia, precisa pagar juros altos para
obter empréstimos internos para financiar o déficit público.
Se, por exemplo, o rombo da Previdência puder ser sanado,
a dívida pública será menor e ficará mais barata.
A discussão politizada e passionalizada da taxa de juros leva
ao erro de se: ignorar o mercado. Mas o mercado não é uma
abstração - é formado por todos pessoas físicas e jurídicas,
indústria, comércio e bancos. As empresas aplicam em fundos
lastreados por títulos públicos - como todos os clientes dos
bancos que têm recursos aplicados, como todos os fundos de
pensão, como todas as seguradoras. Se não forem corretamente
remunerados, todos perdem.
A queda dos juros não depende simplesmente de um ato de vontade
política ou, como disse o presidente Luís Inácio Lula da Silva,
de bravatas. Os juros só vão cair de forma sustentada e crescente
se o governo controlar a inflação, cortar gastos e gerar superávits
para reduzir a dívida pública. Daí a importância das reformas,
principalmente da Previdência Social, que visam diminuir o
dramático déficit público.
A redução dos juros contribuiria também para reduzir o alto
índice de inadimplência que tem peso significativo no spread
bancário - a diferença entre o que os bancos pagam para captar
recursos dos investidores e o que cobram para emprestar a
pessoas e empresas que precisam de crédito.
O "spread" bancário é alto, embora venha caindo bastante nos
últimos anos. Em janeiro de 2003, último levantamento divulgado
pelo Banco Central, o "spread" médio estava em 31,5% ao ano
quanto em 1999, estava em 62%.
Mas assim como não é possível baixar juros por decreto, também
a redução do "spread" envolve processo gradual, que os próprios
bancos vêm debatendo em conjunto com o Ministério da Fazenda.
A Febraban tem apresentado à sociedade algumas propostas que
criam condições para a redução dos juros de forma sustentada.
Uma delas é reduzir a cunha fiscal que incide sobre a intermediação
financeira (IR, CPMF, IOF, Contribuição Social, PIS, Cofins,
INSS, FGC), diminuindo o custo das operações e, portanto,
os juros para o tomador final.
Outra medida seria mudar as atuais leis, de falência e concordata,
para que seja possível cobrar garantias em caso de inadimplência,
o que hoje é muito difícil. A nova Lei da Falência, que deverá
ser votada nas próximas semanas pelo Congresso, poderá solucionar
parte do problema.
A Febraban sugere outras providências como a redução dos compulsórios,
que, na prática, têm o efeito de impostos; o aperfeiçoamento
dos mecanismos de securitização; a implementação da cédula
de crédito bancário, que permite execução mais rápida na Justiça;
a redefinição dos direcionamentos obrigatórios das carteiras
de empréstimos para habitação e agricultura, por exemplo;
a aprovação de leis que facilitem aprimorar cadastros e banco
de dados de clientes, para melhorar a análise dos candidatos
a crédito; o estímulo a operações de crédito eletrônicas,
que custam mais barato para os bancos e podem custar menos
para os clientes. Essas e outras medidas contribuiriam, sem
dúvida, para reduzir os riscos e a inadimplência e, em conseqüência,
diminuir as taxas de juros, incentivando o crédito à atividade
produtiva e ao consumo .
Febraban - Federação Brasileira de Bancos
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