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Os juros - mais altos do que todos gostariam

04.06.2003

A manutenção de juros altos não interessa aos tomadores de crédito, ao governo ou aos bancos.

Juros altos inibem a atividade produtiva, restringem o consumo, tendem a gerar desemprego e redução da renda e alimentam - quando excessivos - a inadimplência.

Juros alto são conseqüência direta de escassez do dinheiro, que pode decorrer tanto da esterilização de recursos dos bancos (compulsórios, direcionamento de crédito para linhas não rentáveis) como pela necessidade de financiamento do déficit do governo.

Um remédio utilizado contra a inflação, como recomenda a política monetária, é uma taxa básica de juros maior, levando a uma redução do consumo. Se a elevação não provocar os efeitos desejados de redução do consumo ela, pelo receituário, deve ser corrigida ainda mais, para cima.

Medidas contra um mal têm efeitos colaterais que precisam ser administrados. Esse é um papel do Banco Central e das autoridades econômicas.

A atividade de intermediação financeira é o negócio principal dos bancos. Se o financiamento do déficit do governo, pela carteira própria dos bancos ou pelos recursos de clientes neles depositados ou aplicados, assume importância significativa em nosso País, reduzindo o volume disponível para crédito, é sobre esse fator que se deve atuar.

Os juros muito altos têm como efeito direto a redução do montante emprestado, com efeitos negativos, como os citados de início, sobre os agentes econômicos.

A redução do déficit do governo precisa se dar por dois caminhos: redução e racionalização das despesas e aumento das receitas.

A redução das despesas de governo tem como exemplo emblemático o projeto de reforma da previdência social. Mas inclui todo o grande esforço para se tornar a máquina pública mais leve e eficiente.

O aumento de receitas, se a carga tributária já é elevada, ocorre por venda de ativos, securitização ou cobrança direta da dívida ativa e da redução da sonegação fiscal, no curto prazo, e pelo desenvolvimento gerador de mais arrecadação, no médio e longo prazos. Um caminho é a redução do nível de informalidade.

Uma redução da receita, bem administrada, pode por sua vez ser indutora do desenvolvimento, e imprescindível, como no caso dos tributos (a chamada "cunha fiscal")que incidem sobre a intermediação financeira. A redução da cunha fiscal, nesse caso, gera efeito direto sobre os juros.

Aumentar o volume de crédito disponibilizado não depende só da redução dos juros, mas também de medidas importantes relacionadas com o marco regulatório existente.
A modificação adequada da Lei de Falências é, exemplificativamente, um outro ponto importante a ser alterado.

O aumento da certeza e da velocidade na execução das garantias e do recebimento dos créditos é um fator adicional, tanto para o aumento do volume de crédito quanto para a redução das taxas de juros.

As autoridades econômicas e monetárias têm apresentado publicamente posições consentâneas com essa.

A continuidade do sucesso da atual política econômica levará à redução dos juros, ao aumento do crédito e a seus efeitos positivos de apoio à retomada do crescimento econômico, com redução do desemprego, aumento de renda e aumento do produto.



Febraban - Federação Brasileira de Bancos