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O SPB e o Banco: Tamanho não é mais documento

Muito tem se dito em relação às conseqüências do SPB para os clientes e para o país.
E, em relação aos Bancos, quais seriam as conseqüências?


Antonio Carlos Castrucci*        

O SPB, na sua implantação, implicou em custos elevados e na utilização intensa de funcionários especializados dos Bancos. Homens de Tecnologia de Informação e Comunicação de Dados, de Produtos, de Tesouraria, de Marketing e até mesmo do Jurídico empenharam-se em árdua batalha para definir as alterações que teriam que ser introduzidas nos sistemas e rotinas internas, para bem atender às exigências do SPB.

O resultado, após 2 anos de trabalho árduo, lá estava - 22 de abril - os Bancos prontos para operar o SPB. Teriam eles algumas vantagens com tamanho investimento e tanto trabalho? Do ponto de vista sistêmico, não há dúvidas, a segregação dos riscos por mercado, BM&F, Bolsa de Valores, Títulos Federais e Privados e Câmbio, através de Clearings específicas, elimina, quase que totalmente, a possibilidade de que um stress, em um daqueles mercados, contagie os demais, salvaguardando a liquidez e segurança do sistema bancário.

Por outro lado, a redução do valor dos cheques e documentos compensados, praticamente elimina a possibilidade de stress no Sistema Bancário.

E do ponto de vista dos bancos, individualmente, haveria alguma vantagem? Sem dúvida, o maior proveito, comparativo, tiveram os Bancos de pequeno porte, que adquiriram maior poder de competição.

Ao Banco Pequeno basta ter competência e cuidar melhor do encaixe e pronto, tamanho não é mais documento. Após o SPB, os Bancos de pequeno porte operam no interbancário de câmbio, sem restrições e sem limites; no mercado de valores mobiliários, passaram a ser e ter parceiros, sem risco e finalmente, no Sistema Bancário, via STR ou CIP, basta ter liquidez e planejamento para bem atender seus clientes, com segurança.

Os custos individuais, de cada banco, para o desenvolvimento e implantação foram altos e, naturalmente, têm que ser suportados por cada Banco.

Porém, resta o delicado e sensível rateio dos custos, também elevados, incorridos externamente aos bancos, tais como os de constituição e implantação das Clearings, e os de comunicação de dados. Nesta matéria È necessário que o mercado bancário, numa sadia postura de auto-regulação, zele para que a amortização daqueles investimentos e gastos operacionais sejam rateados entre os integrantes do SPB, com base na utilização dos serviços e na quantidade de transações, evitando que venham a impactar, perniciosamente, os custos individuais das transações dos pequenos bancos.

Outro fator de extrema importância e que também merece atenção do mercado é evitar que bancos represem as liquidações com títulos de renda fixa, cursados no CETIP(LBTR), liberando-as proximamente ao término do expediente, tudo a implicar no aumento da necessidade de encaixe intra-dia dos bancos, fator que tem reflexos negativos mais acentuados nos bancos de pequeno porte.

Mas, apesar das considerações acima, que com certeza se regularizarão, há de se reconhecer, foi um grande avanço e conquista do Sistema Bancário Brasileiro!


*Antonio Carlos Castrucci, Presidente do Banco Paulista S/A, Diretor Executivo da Febraban e Conselheiro da ABBC, da qual foi Presidente de 1997 a 2000.