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Stabilization
and Reform in Latin America
Fundo Monetário Internacional - 8 de fevereiro de 2005
Roberto
Luis Troster(*)
O relatório acima foi objeto de análise da área
técnica da Febraban, especialmente a seção
V - Latin American Financial Systems.
O
ponto mais relevante do relatório foi lembrar que sistemas
financeiros têm um papel importante no desempenho econômico.
Portanto, avanços no sistema bancário brasileiro são
necessários para o país crescer.
Um
destaque é a baixa relação crédito/PIB
do Brasil. Todavia, é oportuno lembrar os avanços
ocorridos em 2004, quando o crédito total cresceu 17,6% e
o crédito a pessoa física 28,9%, em razão da
melhoria do quadro macroeconômico e de avanços institucionais,
como o crédito em consignação.
Na
Tabela 5.2 do relatório é feita uma comparação
entre os sistemas bancários de dez países diferentes.
O Brasil é o terceiro menos concentrado da lista, e a participação
dos bancos estrangeiros é a segunda menor no total de ativos,
no total de depósitos e no total de créditos. Os números
mostram, que à diferença de outros países,
os bancos nacionais souberam manter seu espaço.
Uma
seção é dedicada à dolarização
de sistemas financeiros da América Latina, apontando para
um aumento no uso de divisas em substituição à
moeda nacional, principalmente em função da volatilidade
macroeconômica. É oportuno destacar que o setor bancário
brasileiro soube preservar a poupança pública e preservar
a moeda nacional.
Apesar
dos spreads elevados, a rentabilidade do setor bancária brasileira
é baixa. Na Tabela 5.4 o Brasil tem a menor rentabilidade
patrimonial e de ativos de toda a amostra, e no Box 5.2, os lucros
antes do imposto de renda estão pouco acima da média
da América Latina, mas abaixo dos norte americanos. Ou seja,
os spreads no Brasil são elevados, mas não se traduzem
em lucros.
O
Box 5.2: Do Brazilian Banks Compete? foi extraído de um working
paper do FMI WP/03/113 divulgado e comentado por esta federação
por ocasião de sua publicação. Na ocasião,
comunicou-se ao Fundo, algumas incorreções do mesmo.
No Box 5.2 é colocado que as margens dos bancos brasileiros
são elevadas, mas não menciona que no working paper
há inclusive citações de que despesas adicionais
decorrentes do "status do ambiente regulatório e legal
em que os bancos operam... e do exercício do cumprimento
de direitos de credores", sem mostrar a conclusão lógica
de que um aprimoramento no ambiente legal institucional é
sinônimo de melhoria da eficiência da intermediação
bancária;
Há
omissões na explicação dos custos, como a tributação,
o baixo nível de alavancagem nos bancos brasileiros, os subsídios
cruzados com compulsórios elevados, créditos direcionados
e a prestação de serviços de pagamento e recebimento,
para o governo a um custo elevado que é repassado para a
intermediação.
A
base para a qualificação da competitividade dos bancos,
no trabalho em análise, é uma medida desenvolvida
por Panzar e Rosse. A variável chave é a relação
entre um aumento no custo marginal e na receita total. Num mercado
perfeitamente competitivo um aumento no custo marginal implica num
aumento de preços aumentando as receitas na mesma proporção;
num mercado monopolista um aumento no custo marginal faz com que
a receita total decline; e há uma situação
intermediária em que a receita sobe, mas abaixo da proporção
do aumento de custos em que é caracterizada como oligopolista.
O uso de um período curto, e de apenas uma metodologia para
medir a estrutura de mercado limitam a abrangência e validade
do estudo.
Os
testes apresentados não rejeitam a possibilidade de que o
sistema tenha competitividade perfeita em 1999 e rejeitam a possibilidade
de comportamento monopolista em todos os anos - ou seja, o estudo
rejeita a possibilidade de que os bancos brasileiros atuem em cartel
todos os anos. Entretanto, isso não é destacado nas
conclusões e induz o leitor a acreditar que o setor atua
como um cartel, o que os números do trabalho rejeitam.
O
estudo foi feito para o período 1997-2002 que foi um período
atípico em função da ocorrência da reestruturação
bancária e da crise do Real em 1999 e podem ter distorcido
os números. Seria importante uma ampliação
do período do estudo. Números levantados pela Febraban,
mostram uma desconcentração, para alguns índices,
após 2000.
O
título do documento e as conclusões são sensacionalistas,
pois muitos pontos são levantados - tributação,
questão institucional, compulsórios, taxa de poupança
interna, etc. - e apenas se faz referência a uma que é
a questão da concorrência no título.
Neste
momento em que o Brasil está às portas de um novo
ciclo de crescimento é oportuno debater as causas que atravancam
a intermediação bancária e propor ações
para melhorar a oferta de crédito e conseqüentemente
o investimento e o emprego. Nesse sentido o documento é oportuno,
entretanto deve ser feito de maneira imparcial e abrangente.
(*)
Economista-chefe da Febraban
Federação
Brasileira de Bancos
Superintendência de Comunicação Social
11 3244-9819/9833
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