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Negócios, sustentabilidade responsabilidade corporativa




Os últimos anos registraram um forte crescimento da perspectiva da sustentabilidade e responsabilidade corporativa junto à comunidade de negócios. Parte desse crescimento vem da ampliação da consciência social em relação ao que se pode e se deve esperar das empresas. A sociedade, cada vez mais, vem se articulando e influenciando a comunidade empresarial para que conduza os negócios de acordo com princípios éticos que sejam bons para diferentes públicos.

Mas é preciso também atribuir um crédito pela valorização de princípios de sustentabilidade e responsabilidade corporativa ao próprio empresariado. Têm sido muitos os empresários a expressar seus valores nesse sentido e eles têm conseguido, com sabedoria e muita disposição para superar dilemas, introduzir uma perspectiva de médio e longo prazo em suas organizações.
Há muita coisa a mudar na gestão das empresas para que estejam preparadas a lidar com as demandas legítimas da sociedade. Assim como há muita coisa a mudar nos governos e nos hábitos de consumo dos povos.

Não são mudanças que possam ser feitas pelo confronto, e sim pelo diálogo. Também não são mudanças que ocorrem por decreto, mas pelo amadurecimento dos envolvidos.

Em geral, instituições financeiras respondem pela geração e movimentação de grande parte da riqueza mundial, permitindo que os valores resultantes da atividade dos diferentes setores da economia sejam deslocados e utilizados nos mais diversos empreendimentos ao redor do planeta.

O desempenho de suas funções coloca os bancos em uma posição de grande influência no cotidiano de empresas, governos, comunidades e, em última análise, na vida das pessoas. Por isso a atuação do segmento financeiro da economia se torna cada vez mais importante para o desenvolvimento sustentável e para o incentivo à responsabilidade empresarial.

Várias iniciativas têm procurado sistematizar, organizar e formalizar o papel do segmento financeiro em conceitos e práticas de sustentabilidade e responsabilidade corporativa. No começo dos anos 90 tiveram início as Iniciativas Financeiras da UNEP - Programa Ambiental das Nações Unidas, quando então mais de 270 bancos, instituições financeiras e seguradoras se articularam para viabilizar uma relação pragmática entre performance financeira e meio ambiente. São enormes as conseqüências para o meio ambiente e para a qualidade de vida das iniciativas da UNEP.
Em 1995 foi lançado o SAM - Gerenciamento Sustentável de Ativos, que depois se uniria à Dow Jones & Company para a criação do DJSI - Índice de Sustentabilidade Dow Jones; este indicador oferece uma avaliação de empresas para fins de investimento, levando em conta tanto os aspectos financeiros tradicionais quanto a performance ambiental e social das empresas. Na mesma linha surgiu, dois anos depois, o FTSE4Good. São sinais inequívocos de evolução da influência da sociedade sobre a atividade empresarial.

Em 2002, através de um convite da IFC - Companhia Financeira Internacional, várias das maiores corporações bancárias mundiais se reuniram e divulgaram em Johanesburgo, os "Princípios do Equador". No documento estão definidas as diretrizes do envolvimento do segmento com essa temática como um todo. Tais "orientações gerais" abrangem desde a incorporação das questões ligadas ao desenvolvimento sustentável na gestão das instituições bancárias, até a difusão do pensamento ligado à sustentabilidade de modo geral.

Como exemplo da dimensão do assunto e das conexões entre os esforços que estão sendo realizados internacionalmente, os "Princípios do Equador" utilizam como referência os padrões do próprio IFC e do Banco Mundial para concessão de crédito, que por sua vez levam em conta questões de sustentabilidade.

Atualmente os projetos e produtos ligados ao microcrédito, bem como os fundos de investimento socialmente responsáveis, apontam para uma trajetória de expansão; as iniciativas ao redor do mundo abrem perspectivas significativas para todos os envolvidos e representam novos negócios e novos mercados para os bancos; representam apoio às políticas públicas de desenvolvimento e à inclusão econômico-social; representam acesso efetivo à cidadania e melhores condições de vida para muitas pessoas e famílias.