Meio Ambiente

O tema "meio ambiente", quando trazido para o contexto dos bancos sob uma perspectiva linear, pode não fazer muito sentido. Porém, há cada vez mais complexidade no mundo dos negócios e, quando analisamos as relações entre empresas, é importante que se trate não apenas dos potenciais impactos diretos inerentes mas, sobretudo, dos indiretos. Em outras palavras, o exercício do papel social dos bancos exige que se trate o tema dos impactos ambientais das empresas como absolutamente relevante diante do quadro de degradação ambiental em todo o mundo. Cada vez mais e com mais ênfase, a responsabilidade ambiental precisa ser ponderada na concessão de crédito, na gestão dos negócios, na relação com fornecedores e assim por diante.

Os indicadores ambientais revelam, portanto, a qualidade da relação dos bancos com o meio ambiente, os impactos ambientais, bem como as oportunidades da empresa de estabelecer novos padrões de relacionamentos em sua cadeia de negócios.

Nesse sentido, as iniciativas aparentemente simples de redução de consumo, e de reciclagem de materiais; os cuidados na destinação do lixo, a minimização do uso de recursos naturais, o uso de critérios sócio-ambientais na concessão de crédito e o desenvolvimento de produtos e serviços de cunho ambiental passam cada vez mais a fazer parte do cotidiano.

A mobilização para este tema é grande e alguns profissionais se dedicam parcial ou integralmente às questões ambientais, seja por iniciativa própria ou por oportunidade gerada na própria organização. Dos bancos participantes, 14% revelam que existem empregados dedicados em tempo integral à questão ambiental e que são oferecidos treinamentos específicos aos temas sócio-ambientais, relacionados à gestão dos negócios.

Iniciativas de coleta seletiva, reciclagem de materiais e
uso racional de recursos naturais

O uso de materiais reciclados ou que não agridem ao meio ambiente, tais como papel reciclado e madeira certificada, é feito por 42% dos bancos; a coleta seletiva em prédios administrativos e PABs é realizada por 44% dos bancos. Quanto à destinação do lixo gerado pelos bancos, 36% possuem processo de acompanhamento, que consiste em processo de auditoria junto às empresas contratadas para pesagem e destinação do lixo recolhido. Com plano para redução do uso da água são 49% dos bancos e 70% declaram possuir plano para redução de energia.

Iniciativas de Coleta
  • Coleta de lixo e descarte em área apropriada.
  • Permuta de lixo por material gráfico com empresa de reciclagem.
  • Recolhimento de papéis e destinação para reciclagem.
  • Destinação de resíduos secos a cooperativas, ONGs ou empresas especializadas em reciclagem.
  • Compactação do lixo feita no banco

Critérios sócio-ambientais na concessão de crédito
Este talvez possa ser considerado o item mais complexo na relação do setor bancário com o meio ambiente. Através de critérios sócio-ambientais, os bancos têm grandes oportunidades em redefinir padrões de relacionamento com seus clientes, considerando aspectos referentes meio ambiente. Em 2002, foram divulgados os "Princípios do Equador", quando várias corporações bancárias se reuniram e divulgaram diretrizes para lidar com o assunto, este documento utiliza como referência os padrões do próprio IFC (Companhia Financeira Internacional) e do Banco Mundial para concessão de crédito levando em conta critérios sócio-ambientais. Atualmente 39,6% dos bancos participantes levam em consideração os aspectos sócio-ambientais na concessão de crédito e já há bancos (8%) que realizam auditorias sócio-ambientais em seus clientes.

Aspectos considerados na concessão de crédito

  • Risco de fluxo de caixa face multas / encargos;
  • Conceito da Empresa na comunidade;
  • Legislação ambiental, conforme normas dos programas especiais do BNDES;
  • Forte preocupação com o social (geração de renda e emprego);
  • Processos produtivos com menor impacto ambiental;
  • Apoio a iniciativas de recuperação de passivos ambientais;
  • Impacto ambiental, exigências de licenças e pareceres ambientais.
  • Em custeio agroecológico e não utilização de agrotóxico e tratamento de fluentes.
  • Ocorrência de passivos ambientais;
  • Multas ambientais;
  • Reclamações de ONGs;
  • Erradicação do Trabalho Infantil / Escravo.
  • Comprometimento da empresa/ grupo com o desenvolvimento sustentável da região(ões) que está(ão) presente(s);
  • Aspectos regulatórios e de impacto que causam alta rejeição pela população atingida;
  • EIA /RIMA (Estudos de Impactos Ambientais e Relatórios de Impacto ao Meio Ambiente);
  • Exigência de cláusula contratual de responsabilidade ambiental específico para contratos de longo prazo;
  • Estudos de impactos ambientais, licença de instalação e licença de operação;
Nº de bancos participantes: 19

 

Também já há bancos (16%) que oferecem produtos e serviços de cunho sócio-ambiental, dos quais destacam-se: custeio agroecológico; créditos específicos para projetos ambientais; linhas de crédito de longo prazo do BNDES voltadas para projetos ambientais e recursos de longo prazo dos organismos multilaterais; linhas especiais para kit de gás natural para carros, energia solar, computadores em escolas, carros adaptados para pessoas com deficiência física; microcrédito; fundo de ações de investimentos socialmente responsáveis; programas com recursos do FGTS, OGU (Orçamento Geral da União), que financiam água, esgoto, drenagem, lixo -- ou seja, saneamento ambiental; e projetos da ANA (Agência Nacional de Águas) em recursos hídricos.