O setor
bancário realiza esforços constantes para atuar de maneira
ambientalmente responsável. Para isso, entende que deve gerenciar
suas atividades de maneira a identificar os impactos sobre o meio
ambiente, aperfeiçoar-se na busca pela redução
de fatores que são negativos e amplificar os positivos, dando
atenção às ações próprias
potencialmente agressivas, além de disseminar para outros setores
suas práticas e seus conhecimentos provenientes da experiência
da gestão ambiental.
Os investimentos em programas e projetos de melhoria ambiental totalizaram
R$ 27,3 milhões em 2005, de acordo com informações
relacionadas por 25% dos bancos. Para projetos internos, relacionados
com a atividade da instituição, foram destinados R$
14,9 milhões e para iniciativas externas, como programas de
educação ambiental, os recursos somaram R$ 13,8 milhões.
Gestão
Os bancos obtiveram em 2005 grandes avanços na introdução
e condução de políticas ambientais, com 10,0%
realizando auditorias socioambientais em suas dependências
ou nas de seus clientes. Em relação a 2004, passou
de 6,1% para 20,0% o percentual de instituições que
declararam possuir sistemas de gestão com planos de objetivos
e metas, alocação de recursos, preparação
de empregados e auditoria. Para 36,6%, é prática comum
a manutenção de funcionários especializados
em riscos e oportunidades ambientais. Ainda 22,0% contribuem para
a preservação da biodiversidade por meio de projetos
de conservação de áreas protegidas ou programas
de proteção a animais ameaçados.
Crédito
As rotinas que envolvem a concessão do crédito em
40,0% dos bancos já passam pelo crivo socioambiental, com
20,0% realizando treinamento constante das pessoas envolvidas nessa
área. Essas ações visam identificar o destino
dos recursos, para que sejam utilizados em consonância com
políticas previamente estabelecidas pelos bancos.
Há casos pontuais da recusa de financiamentos cuja aplicação
não respeite o desenvolvimento sustentável, como em
empreendimentos em que tenha sido comprovada a utilização
de mão-de-obra escrava ou infantil; que praticam exploração
predadora de espécies florestais e fauna silvestre, que não
cumprem obrigações trabalhistas; ou de empreendimentos
do setor de mineração que incorporem processo de lavra
rudimentar ou garimpo.
Um quarto das instituições fornece linhas de crédito
para o desenvolvimento de projetos que visam reparar algum dano
ou melhorar a situação ambiental, como reflorestamento
e limpeza de solo contaminado. Outras 29,3% destinam recursos para
projetos de grande relevância e destinados a prevenir ou minimizar
o impacto ambiental, como a captação de energia solar
e o desenvolvimento de automóveis elétricos.
Fornecedores
As mensagens de conscientização em relação
às práticas socioambientais também são
destinadas aos fornecedores das instituições. Mais
da metade (55,0%) revelou a preocupação constante
com a aquisição de materiais de consumo interno, dando
especial atenção para produtos como papel reciclado
e madeira certificada. Nesse sentido, 25,0% estabelecem diálogo
constante com os fornecedores para que esses também se preocupem
com os impactos causados por seus produtos e serviços e melhorem
seus processos de gestão.
Produtos
e serviços
Produtos e serviços que levam em consideração
aspectos ambientais integram o portfólio de 20,0% dos bancos.
Há uma diversidade de produtos, como aqueles que financiam
tecnologias limpas (geração de energia solar e hidráulica,
produção de biodiesel, substituição
de combustível liquido por gás para automóveis)
ou destinam parte da receita para projetos de preservação
e conscientização ambiental, a exemplo dos cartões
de crédito de afinidade. Muitas linhas de crédito
foram criadas especificamente para projetos de manejo ambiental
e saneamento básico ou para a adequação do
tratamento resíduos sólidos da produção
industrial.
Recursos
e resíduos
Todos os bancos, de uma forma ou de outra, consideram as práticas
responsáveis no consumo interno de recursos naturais e na
geração de resíduos, empenhando-se em minimizar
os impactos causados ao ambiente.
Em 2005, 50,0% das instituições trabalharam para reduzir
o consumo de água nas suas dependências, com o estabelecimento
de metas progressivas que foram cumpridas graças à
identificação de novos equipamentos ou pela adequação
da estrutura dos prédios.
Já a redução no consumo de energia elétrica
é objeto de acompanhamento por parte de 62,5% dos bancos,
cuja rotina obedece aos mesmos padrões da redução
do consumo de água. Também adotam ações
de controle da poluição causada por veículos
(seus e de terceiros).
Muitas instituições possuem milhares de funcionários,
o que torna inevitável uma elevada geração
de resíduos sólidos. Nesse sentido, 25,0% possuem
programas exclusivos para conscientizar e incentivar o pessoal a
adotar uma progressiva redução no descarte de materiais.
Em 2005, o volume de resíduos sólidos - aproveitáveis
e não-aproveitáveis - totalizou 31.450 toneladas,
uma média de 2.621 considerando-se os 12 bancos que informaram
dados sobre esse item.
Consumo de água (em m³)
|
Total
|
Média
|
| 2005 |
5.628.291
|
268.014
|
| 2004 |
2.387.720
|
170.551
|
| 2003 |
867.119
|
78.829
|
| 2002 |
490.382
|
61.298
|
Bancos
participantes: 21, 14, 11 e 8, respectivamente
Consumo
de energia elétrica (em kWh)
|
Total
|
Média
|
| 2005 |
1.328.760.819
|
45.819.339
|
| 2004 |
1.408.163.342
|
58.673.474
|
| 2003 |
1.660.147.834
|
87.376.202
|
| 2002 |
1.682.547.814
|
112.169.854
|
Bancos
participantes: 29, 24, 19 e 15, respectivamente
Resíduos
sólidos gerados (em toneladas)
|
Total
|
Média
|
| 2005 |
31.450
|
2.621
|
| 2004 |
25.948
|
2.595
|
| 2003 |
17.372
|
3.474
|
| 2002 |
16.641
|
4.160
|
Bancos
participantes: 12, 10, 5 e 4, respectivamente
Coleta seletiva
Os investimentos na redução, reutilização
e reciclagem de resíduos fazem parte das atividades de 62,5%
das instituições sendo que 47,5% também acompanham
efetivamente o destino do lixo produzido. Muitos bancos realizam
parcerias com cooperativas de reciclagem e empresas de saneamento
ambiental. E estabelecem, no contrato com fornecedores de construção
civil, critérios para o descarte do material utilizado nas
obras. Já é prática, também, a remanufatura
de cartuchos de impressão e a adoção do papel
reciclado em documentos, formulários impressos e na confecção
de talões de cheques.
Educação
ambiental
Para a proteção do meio ambiente, em projetos ou
programas externos de conscientização das comunidades,
educação ambiental ou apoio a iniciativas de preservação
de áreas de risco, foram destinados R$ 13,8 milhões.
Desde 1995, o Banco da Amazônia patrocina o Programa
de Preservação dos Rios da Amazônia - Pró-Rios,
para o qual já destinou R$ 334,6 - no ano, foram R$ 104,1
mil. O programa, desenvolvido pela Sociedade de Pesquisas e Preservação
da Amazônia, tendo como público-alvo os usuários
e tripulantes das embarcações que operam nos rios,
bem como habitantes das áreas da Amazônia Legal e
escolas ribeirinhas. Seu objetivo é reverter o hábito
predatório da poluição dos rios e evitar
as conseqüências socioambientais. Para isso, são
desenvolvidas campanhas educacionais, transmitidas orientações
para os tripulantes das embarcações e realizadas
atividades escolares, como concurso de redação,
coleta seletiva de lixo e oficinas pedagógicas de reutilização
de materiais descartáveis.
O programa Reciclar, do Banrisul, criado para aprimorar
o relacionamento do banco com o ambiente natural e a preservação
da vida, evoluiu de uma ação interna para contribuir
na geração de emprego e renda, no resgate da cidadania
e no desenvolvimento social. Iniciativas direcionam de forma adequada
os resíduos do banco e resultam em menor impacto ambiental.
A venda de papel para reciclagem, por exemplo, representa mais
de 24 mil árvores poupadas.
A Fundação BankBoston é parceira do
Instituto Akatu, que tem o objetivo de conscientizar a sociedade
sobre o seu poder transformador, disseminando o conceito de consumo
consciente. O Instituto Akatu recebeu apoio financeiro de R$ 110,0
mil em 2005, somando R$ 560,0 mil em quatro anos.
Para contribuir com a preservação e recuperação
do bioma da Mata Atlântica, o Banco Bradesco estabeleceu
em 1990 parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.
Os recursos provenientes do banco - que totalizam R$ 33,0 milhões
desde então - são aplicados em programas de reflorestamento,
projetos de educação ambiental, edições
de livros e atlas, instalação de viveiros, campanhas
de mobilização da sociedade e projetos especiais,
que incluem eventos institucionais da Fundação até
campanhas motivacionais para o público interno do Bradesco.
Foram plantadas 10 milhões de mudas nativas, com recursos
obtidos a partir da venda de títulos de Capitalização
Pé Quente Bradesco SOS Mata Atlântica e dos Cartões
Bradesco Visa SOS Mata Atlântica. Também foram desenvolvidos
outros programas de reflorestamento, como Florestas do Futuro,
que consistiu no plantio de árvores para a formação
de matas ciliares nas principais bacias hidrográficas da
Mata Atlântica. A parceria possibilitou, ainda, a Campanha
PrevJovem de educação ambiental em escolas - que
resultou em 13 mil kits com mudas de espécies nativas distribuídos
em escolas; e a criação de miniviveiros de educação
ambiental nas unidades da Fundação Bradesco. Foram
ainda instalados cinco viveiros nas cidades de Registro, Osasco,
Campinas, Marília e Vila Velha, e distribuídas mudas
de espécies nativas - 80 mil nos pedágios das rodovias
Anhanguera e Bandeirantes e 20 mil nas principais agências
em São Paulo.
O Citigroup apóia o programa Empreendimentos Sustentáveis
do Sul da Bahia, desenvolvido em parceria com a ONG Conservação
Internacional e o Instituto de Estudos Socioambientais do Sul
da Bahia (Iesb), que acontece desde 2001. Mais de 230 produtores
rurais da região cacaueira baiana já foram beneficiados
pela iniciativa, que busca encontrar alternativas econômicas
e garantir suporte técnico a pequenos negócios,
incorporando aspectos de conservação e conscientização
ambiental. O programa desenvolve atividades com pequenos produtores,
como enxertia e clonagem de espécies resistentes à
vassoura-de-bruxa, de modo a evitar o desmatamento de grandes
áreas para a utilização em monoculturas e
pastagens, ou ainda a ação extrativista. Ele abriga
dois subprogramas. Um deles é de apoio às cooperativas
agrícolas Cabruca e Cooperuna, com suporte técnico
à comunidade dos municípios de Una e Ilhéus.
O outro é o Ecoparque de Una, que conta com 400 hectares
de uma rica reserva de espécies da fauna e da flora nativas,
aberta à visitação pública. Atualmente,
o programa desenvolve o Fundo de Capital Semente para a Mata Atlântica,
que permitirá aos produtores das duas cooperativas adquirirem
insumos, sementes e mudas para o desenvolvimento de atividades
econômicas sustentáveis. Fruto desse projeto, o Citigroup
criou bombons artesanais, a partir do cultivo orgânico do
cacau e dos recheios de cupuaçu e graviola, que são
embalados em caixas de madeira certificada. Esses brindes são
utilizados em eventos com clientes.
Mulheres do Cerrado em Busca de Sustentabilidade, desenvolvido
em Cerrado do Alto Jequitinhonha (MG) com o apoio do HSBC,
busca desenvolver um negócio sustentável capaz de
gerar riqueza e renda para 30 mulheres as integrantes do projeto,
promovendo o empreendedorismo e a sustentabilidade ambiental.
O negócio consiste na produção de cosméticos,
que utilizam como matéria-prima as plantas medicinais,
nativas e exóticas da região. Em 2005 foi realizado
um diagnóstico socioeconômico e ambiental, promovidas
oficinas sobre comportamento organizacional, ética e comunicação,
treinamentos sobre liderança, cidadania, empreendedorismo
e gestão de negócios e uma série de outras
atividades para permitir elaborar um plano de negócios.
O projeto está em sua fase inicial, mas já registrou
aumento de 42,5% na produção dos cosméticos
e ampliou os contatos comerciais. Para essa iniciativa, o banco
destinou R$ 19,1 mil em 2005.
O projeto Plante a Primavera, desenvolvido pelo Banco Itaú,
tem como objetivo estimular a consciência da população
sobre a necessidade de preservar o meio ambiente, com ações
voluntárias individuais ou coletivas. Em 2005, envolveu
700 agências e distribuiu distribuição de
131 mil kits com sementes e vasinhos de fibra de coco, além
de 3 mil kits educativos, feitos com papel reciclado. Em conjunto
com escolas e a comunidade, os gerentes do banco desenvolvem uma
solenidade de plantio de árvores em comemoração
ao Dia da Árvore e à Semana do Meio Ambiente. Em
algumas cidades as árvores são plantadas em praças,
e uma escola é escolhida como responsável pela manutenção
da árvore.
Em 2005, o Banco Nossa Caixa criou o Programa Plante uma
Árvore, por meio de uma campanha no Centro Regional Administrativo
da cidade de Bauru (SP), da qual participaram mais de 200 crianças
de creches municipais conveniadas com o Rotary Clube. No evento
foram ministradas palestras sobre a proteção da
natureza, distribuídas cartilhas sobre educação
ambiental e realizado o plantio de mil sementes da árvore
pau-formiga. O banco apóia e envolve-se diretamente no
programa, que conta com a participação de 20 funcionários,
e realiza o monitoramento do crescimento das árvores plantadas,
a cada três meses. O Plante uma Árvore foi incluído
no calendário anual de ações socioambientais
do banco e recebeu um investimento inicial de R$ 15,0 mil.
O Santander Banespa faz doação de papel para reciclagem
à Associação de Pais Banespianos de Excepcionais
(Apabex), para auxiliar na manutenção das atividades
da entidade fundada pelos funcionários do Banespa e que
atende portadores de deficiência mental e suas famílias.
A Associação recebe todo o valor obtido com a venda
do papel coletado nos centros administrativos.
O projeto Verão Limpo, que aconteceu no Rio de Janeiro
e teve o apoio do Unibanco, envolveu 3 mil banhistas e
pessoas que circulam pelas praias durante o verão, com
ênfase em crianças e adolescentes, em atividades
lúdicas relacionadas à preservação
do meio ambiente, oficinas de material reciclado, gincanas monitoradas
por professores de educação física, além
de vôlei, futebol, queimada e outros jogos. Também
foram distribuídos sacos plásticos, materiais promocionais
e sementes nativas do Brasil, enquanto o grupo Pegando de Surpresa,
formado por garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana, fez
performances. O projeto também contribuiu para transformar
a vida de 80 jovens carentes, que foram capacitados e receberam
uma bolsa auxílio de R$ 250,00 para atuarem nas ações.
Cinco funcionários do banco também participaram
como voluntários. Ao todo foi distribuído 1 milhão
de exemplares de material de conscientização e 9
mil mudas de espécies vegetais da Mata Atlântica.
Foi atingida a meta de diminuição de 5% do lixo
jogado na areia.
|