O setor bancário em 2005
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A razão de ser do setor bancário é o seu consumidor final, e a transparência com a qual ele aprofunda esse relacionamento se reflete no esforço de aplicar com eficácia as proposições contidas nos seus códigos de conduta e ética, e também na sua visão, sua missão e seus valores.

Tem sido constante o aprimoramento no uso dos diversos canais de comunicação para a oferta de produtos e serviços aos clientes em geral. Assim como ocorre com o meio de transmissão, o conteúdo veiculado pelas mensagens também vem sofrendo reformulações - pontuais ou profundas - sempre que se exige uma correta adequação da linguagem ao pleno entendimento dos usuários dos serviços e produtos bancários.

Em 55,0% das instituições, são realizados estudos e pesquisas entre os públicos de interesse sobre danos potenciais de seus produtos e serviços e adotadas medidas preventivas ou corretivas com agilidade, para minimizar riscos à segurança, bem como evitar danos morais e garantir a privacidade dos clientes.

Clareza

Ao estabelecer relações contratuais com os clientes, 90,0% dos bancos preocuparam-se em facilitar o entendimento e a compreensão daquilo que foi oferecido ou adquirido. E, sabendo que dúvidas sempre podem aparecer após a veiculação das mensagens e mesmo depois da venda do produto ou serviço, as instituições informaram manter um Serviço de Atendimento ao Consumidor (por telefone ou correio eletrônico), nos quais os clientes relatam suas sugestões e críticas, recebem orientações e têm seus eventuais problemas solucionados.

O mesmo percentual de instituições analisa e avalia os indicadores de desempenho desse serviço e os utiliza em grande parte nos processos de tomada de decisão que visam criar, manter ou descontinuar a oferta de produtos e serviços ou mesmo no aperfeiçoamento das práticas de atendimento.

Em 85% dos casos, os clientes são informados sistematicamente sobre as condições e as alterações introduzidas em produtos e serviços, como juros, prazos, vantagens e desvantagens.

Já em 37,5% das instituições são realizadas, inclusive, pesquisas para medir o nível de satisfação do cliente quanto ao grau de clareza na apresentação de informações bancárias, como extratos de contas e contratos

Comunicação e propaganda

Uma prática comercial é o uso de peças publicitárias para conquistar maiores mercados para os produtos e serviços bancários. Veiculadas na imprensa, no rádio e na TV, em outdoors, via Internet e telefone, por meio de fôlderes à disposição na rede de atendimento ou enviados pelo correio, exigem rigorosos cuidados na abordagem do tema ou assunto.

Diante disso, o setor tem preocupação redobrada quanto ao teor da informação. O principal indicador revela que 87,5% preocupam-se com a comunicação interna e externa, verificando previamente o alinhamento com as crenças e os valores para que expresse posicionamento ético e transparente ao público final.

Também são observadas as seguintes práticas:

  • 87,5% promovem a atualização do material de comunicação destinado aos clientes, para tornar mais transparente o relacionamento e mais segura a utilização dos produtos oferecidos.

  • 50,0% adotam políticas contra a produção e veiculação de propaganda que coloque crianças, adolescentes, negros (pretos e pardos), mulheres ou qualquer indivíduo em situação preconceituosa, constrangedora, desrespeitosa ou de risco.

  • 80,0% realizam a análise prévia de peças publicitárias para verificar a conformidade com os valores éticos e com a legislação de defesa do consumidor, inclusive com a apreciação dos departamentos jurídicos das instituições.

Excelência no atendimento

É incessante a necessidade de as instituições ampliarem o nível de satisfação dos diferentes públicos. Sempre com a intenção de superar as metas estabelecidas, os bancos promovem aprimoramentos nos seus canais de atendimento, para que expressem de forma fiel os seus códigos de ética e atendam à legislação de direitos do consumidor. Para isso, têm investido nos capitais, humano e tecnológico, buscando o entendimento, a análise e a solução das manifestações oriundas dos consumidores.

Em 2005, por exemplo, 68,3% dos bancos afirmaram efetuar o registro dessas manifestações, por meio de um ou mais canais para o registro e solução das pendências: departamentos de ouvidoria, serviços de ombudsman, centrais de atendimento por telefone e correio eletrônico. Em alguns casos, começam a ser utilizados modernos softwares, que auxiliam na resolução dos problemas identificados. Além disso, 82,9% procuraram identificar as causas dos problemas apontados e aproveitaram a aprendizagem para atualizar ou introduzir políticas de melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços.

A política de treinamento dos profissionais de atendimento também vem sendo amplamente aprimorada no âmbito das organizações. Muitas delas mantêm programas constantes, de periodicidade trimestral a anual, com atividades presenciais ou desenvolvidas por meios eletrônicos.

Em 85,0% dos casos, são promovidos treinamentos contínuos para que haja uma relação ética e de respeito aos direitos do consumidor e 75,0% revelaram possuir programa específico para determinar o reconhecimento de falhas, aumentar a rapidez e propiciar autonomia na solução dos problemas.

Outro pilar que sustenta a credibilidade do sistema bancário está no cuidado com que são manipuladas as informações dos clientes por parte dos colaboradores. Para a manutenção dessa política, 80,5% treinam continuamente os profissionais de atendimento sobre a importância de procedimentos éticos no uso das informações privadas dos consumidores e clientes.

Especificamente em relação ao atendimento realizado nas agências, os bancos empenharam-se em realizar diversos treinamentos, para aumentar a interação dos funcionários com os clientes, efetuar mudanças comportamentais, aumentar a clareza sobre os produtos e serviços, visando à melhoria do relacionamento com o público em geral. Nesse aspecto, destacam-se:

  • Certificação de pessoal pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

  • Treinamentos sobre concessão de crédito direcionado a uma atuação com negócios sustentáveis (que observem padrões de responsabilidade socioambiental).

  • Programas educativos contra a lavagem de dinheiro.

  • Padronização de atividades comerciais.

  • Continuidade na busca de certificações dos padrões de atendimento pelas normas ISO.

  • Facilitação das operações por meio de rede de auto-atendimento.

  • Reconhecimento dos funcionários que mais se destacaram no atendimento ao cliente.

  • Criação de conselhos ou comitês de qualidade.
Serviços de atendimento ao clientes
2005
2004
2003
Total de ligações atendidas pelo SAC
67.144.747
51.146.418
31.800.219
Percentual de reclamações em relação ao total de ligações atendidas pelo SAC
2,20%
2,10%
2,90%
Tempo médio de espera no telefone do SAC até o início do atendimento (em segundos)
56
31
180
Quantidade de inovações adotadas em razão da interferência do ombudsman e/ou do serviço de atendimento a consumidores/clientes
278
110
185
Nº de bancos participantes: 28, 23, 13 e 13 (2005) 14, 16, 11 e 8 (2004); 17, 18, 14 e 5 (2003)

Pesquisas

Tem sido fundamental a utilização de pesquisas de satisfação dos clientes para determinar os rumos das decisões das instituições para a melhoria ou criação de produtos e serviços, bem como para identificar possíveis falhas no atendimento ou mesmo facilitar a busca por novas oportunidades de negócios.

Essas pesquisas foram realizadas em 2005 por 46,3% dos bancos, com diferentes metodologias (Focus Group, entrevistas, dentre outras técnicas) e com periodicidade variada (trimestral, semestral, anual). As perguntas foram centralizadas em três pontos primordiais: atendimento nas agências (tema abordado por 40,0%), auto-atendimento (42,0%) e produtos e serviços (42,0%).

Privacidade

Como participam de um negócio marcado por rigorosas regras quanto à manipulação de informações, estabelecidas de acordo com as legislações nacional e internacional, 90,0% dos bancos possuem políticas formais e sistemas de proteção à privacidade dos consumidores e clientes. Também existem recomendações para que sejam solicitadas apenas informações pessoais relevantes, o que ocorre em 87,5% dos casos.
Boa parte dos bancos (72,5%) também permite que o consumidor, cliente ou usuário possa efetuar pessoalmente a inclusão, alteração e exclusão de seus dados cadastrais, e um quarto das instituições registra formalmente as reclamações recebidas por desrespeito à privacidade do cliente.

Defesa do Consumidor

Todas as ações realizadas pelos bancos na adequação dos produtos e serviços aos seus conceitos de transparência e ética permitiram que, em 2005, nenhuma multa fosse aplicada pelos órgãos de defesa do consumidor devido ao não-cumprimento dos regulamentos referentes à informação. Apenas 20,0% receberam alguma autuação de órgãos como Procon, Vigilância Sanitária e Instituto de Pesos e Medidas, mas em áreas alheias aos direitos do consumidor. Na média de 28 bancos que informaram esse item da pesquisa, o número de processos administrativo foi em média de 309, um recuo de 32,7% comparativamente à média do ano anterior. O número de reclamações de clientes e usuários dos bancos no Banco Central do Brasil decresceu 43,2% entre 2004 e 2005, passando de 2,59 reclamações para 1,47 em cada grupo de 100 mil clientes, revelando o grande avanço no atendimento ao consumidor.

Direitos do consumidor
2005
2004
2003
Quantidade de processos administrativos (Procon, Vigilância Sanitária e Ipem)
8.643
5.513
6.989
Quantidade de reclamações no Banco Central para cada grupo de 100 mil consumidores¹
1,47
2,59
3,41
Nº de bancos participantes: 27 e 27 (2005) 16 e 15 (2004), 8 e 10 (2003) ¹ Fonte: Banco Central