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A política
e a economia seguiram rumos diferentes em 2005. Denúncias
de corrupção assolaram a classe política de
uma maneira nunca vista em Brasília. No entanto, diferentemente
do ocorrido em outras ocasiões, o país econômico
logrou absorver os impactos da turbulência política
a um custo relativamente baixo e apresentar um crescimento modesto,
mas positivo.
Houve desaceleração no crescimento no terceiro trimestre
do ano. Dados de produção, emprego e vendas refletiram
a postergação de algumas decisões de consumo
e de investimento, que diminuíram, temporariamente, o ritmo
da atividade econômica, em razão dos acontecimentos
políticos. Mas, no quarto trimestre, os indicadores mostraram
recuperação modesta. Em 2005, o PIB brasileiro evoluiu
2,3% - o menor crescimento entre os países da América
Latina, depois do Haiti.
O aperto monetário iniciado em setembro de 2004 terminou
em maio de 2005. O processo de redução de juros (taxa
Selic) começou em setembro e as taxas encerraram 2005 praticamente
no mesmo nível do início do ano. A inflação
foi controlada e observou-se valorização cambial.
O dólar foi de R$ 2,65 em dezembro de 2004 para R$ 2,32 em
dezembro de 2005. Já a inflação medida pelo
IPCA caiu de 7,6% 2004 para 5,7% em 2005.
Taxa Selic

A balança comercial apresentou o quinto recorde anual sucessivo,
apresentando um saldo de US$ 44.756 milhões, obtido basicamente
em razão do crescimento das exportações, que totalizaram US$ 118.308
milhões.
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Balança
Comercial
(US$ milhões) |
Exportações
(US$ milhões) |
Importações
(US$ milhões) |
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2002
|
13.121,30
|
60.361,80
|
-47.240,50
|
|
2003
|
24.793,90
|
73.084,10
|
-48.290,20
|
|
2004
|
33.640,50
|
96.475,20
|
-62.834,70
|
|
2005
|
44.756,90
|
118.308,30
|
-73.551,40
|
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Os indicadores
de risco-país, juros e dólar terminaram o ano em queda
e mostraram-se dissonantes com a crise. O risco-país caiu
de 377 pontos-base em 2004 para 311 pontos-base em 2005.Tudo indica
que o desempenho da economia em 2006 será melhor que o de
2005.
Crédito
O crédito, repetindo o desempenho de 2004, apresentou um
crescimento expressivo. A relação crédito bancário/PIB
subiu de 27,0% para 31,3%, superando a marca de 30% pela primeira
vez desde 1995.
Houve crescimento em todos os segmentos, mas o destaque foi para
as modalidades com maior segurança jurídica: o leasing,
que cresceu 56,25%, e o crédito consignado, que aumentou
84,3% - demonstração cabal da importância de
melhorias institucionais para a redução dos juros
finais ao tomador.
Evolução do Crédito (R$ milhões)
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Dezembro
(2005)
|
Dezembro
(2004)
|
Variação
(%) 2004/2005
|
|
Total
|
606.702
|
499.604
|
21,4
|
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Recursos
livres (1)
|
403.460
|
318.796
|
26,6
|
|
Pessoa
jurídica
|
213.015
|
180.248
|
18,2
|
|
Pessoa física
|
190.445
|
138.548
|
37,5
|
|
Direcionados
|
203.242
|
180.807
|
12,4
|
|
Habitação
|
28.125
|
24.694
|
13,9
|
|
Rural
|
45.116
|
40.714
|
10,8
|
|
BNDES
|
124.105
|
110.013
|
12,8
|
|
Outros (2)
|
5.896
|
5.386
|
9,5
|
|
Setor
público
|
20.556
|
19.212
|
7,0
|
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Participação
no PIB
|
31,3%
|
27,0%
|
4,3PP
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Fonte:
Banco Central do Brasil
(1) Inclui leasing, cooperativas de crédito, crédito
rural não-direcionado e parcela das faturas de cartão
de crédito não financiadas
(2) Inclui créditos de bancos de desenvolvimento e
agências de fomento.
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A diminuição
da taxa de juros permitiu estender os benefícios do crédito à base
da pirâmide. Tanto a conta simplificada como a expansão do crédito
consignado e o financiamento de bens e de veículos estenderam benefícios
a camadas crescentes da população.
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