Banco de Talentos 2005

 

EDIÇÃO 2005
BANCO DE TALENTOS

As inscrições na 12ª edição registraram aumento de 17%

Os bancos brasileiros são reconhecidos pelo apoio e promoção a diversas atividades culturais no Brasil - exposições, peças teatrais e musicais. A maioria dos bancos mantém centros culturais e promove exposições em suas próprias agências. O que muitos ainda não sabem é que os bancários também fazem arte e não hesitam em dobrar a jornada nas pranchetas, partituras, fotografias, textos ou ensaios de coral, canto e peças teatrais. Toda essa arte é revelada em um projeto social da Febraban. Trata-se do Banco de Talentos, que esse ano está na 12ª edição e registrou em torno de 17% de aumento no número de inscrições comparado a edição anterior. Foram preenchidas 700 fichas nas categorias Artesanato, Canto Coral, Escultura, Literatura e Teatro. As inscrições foram encerradas dia 5 de agosto.

A próxima fase é a seleção dos melhores trabalhos. Nessa etapa, as comissões selecionadoras, que são formadas por artistas e especialistas, escolherão os melhores trabalhos. Posteriormente, a entidade distribuirá, ao final, a cada banco filiado ou com participantes inscritos, um catálogo contendo a reprodução de algumas obras, com a identificação pessoal dos artistas. Além disso, fará uma exposição aberta ao público, entre outras alternativas de divulgação.

Benefícios

Os benefícios do Banco de Talentos estendem-se a todos: aos bancos, porque promove a integração das instituições com seus funcionários, clientes e toda a população que transita pela rede bancária; aos funcionários, porque oferece a oportunidade de revelarem seu trabalho a um público mais amplo, embora seletivo; e à população, que tem acesso a apresentações e exposições sempre gratuitas e de excelente nível.

As Comissões Selecionadoras do Banco de Talentos são formadas por artistas e especialistas. Entre eles, Yara Cunha Costa, superintendente da Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de São Paulo (Sutaco); Cláudio Jorge Willer, presidente da União Brasileira dos Escritores; Luiz Antônio Seraphico de Assis, historiador e vice-presidente do Museu Brasileiro da Escultura (Mube); Milton de Godoy Campos, presidente do Clube de Poesia de São Paulo e José Eduardo Vendramini, professor do Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Os participantes, sem exceção, são profissionais do sistema financeiro. Isso significa que, simultaneamente a tintas, pincéis, telas, fotografias e partituras, esses bancários se desdobram para conciliar suas carreiras atrás dos balcões das agências. Em média, a cada ano, 600 bancários-artistas participam de atividades ligadas ao projeto.

Bancários falam sobre Banco de Talentos

Lado Artístico

A participação no projeto Banco de Talentos despertou na analista de comércio exterior do Santander, Márcia Maria Lopes, o impulso de empregar o seu "lado artístico", como intitula, em projetos sociais patrocinados pelo banco. Formada em Ciências Econômicas, com MBA em Comércio Exterior, ela diz que aprendeu a pintar e a fazer esculturas com sua irmã e agora pretende ser voluntária em programas sociais. "Reconheci a habilidade artística e quero repassar o aprendizado a quem não tem acesso à arte." A bancária fez cursos técnicos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e também com as artistas plásticas Cássia Soares e Carmo Terra. Uma de suas técnicas favoritas é a queima em Raku, de origem japonesa. Para edição 2005, do Banco de Talentos, a artista-bancária deve participar com esculturas de pessoas.

Aliviar estresse

O talento para moldar formas e traços inspirados na obra do consagrado artista plástico Vitor Brecheret só foi descoberto em 1999. Foi quando a gerente no departamento de orçamento e controle do Bradesco, Sueli Lopes, tentou se inscrever num curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios "para aliviar o estresse", como ela lembra. Como não havia vagas, pela escultura. Surpresa: já primeiro trabalho, em cerâmica, revelou-se um enorme potencial. O reconhecimento veio quatro anos depois, em 2003, quando duas das obras de Sueli foram selecionadas para o Banco de Talentos Febraban. Ao todo, já são 25 peças, em cerâmica, bronze e, mais recentemente, resina. Agora, graças à participação no Banco de Talentos, Sueli se prepara para vôos mais altos. A divulgação das obras proporcionada pelo catálogo rendeu a ela um convite para expor suas obras no Anuário Brasileiro de Artes Plásticas, distribuído no Brasil e no exterior, ao lado de artistas conhecidos como Cláudio Tozzi e Aldemir Martins.

Catálogo

Sem cair no risco de cometer exageros, pode-se afirmar que os primeiros e decisivos passos do coordenador de Projetos de Crédito do Serasa, Arlindo Gonçalves Marrão Jr., no mundo da literatura foram dados com a publicação do conto Transe no Catálogo do Banco de Talentos da Febraban, em 2001. Depois, vieram contatos com escritores conhecidos, participações em diversas coletâneas literárias e dois livros lançados, Dores e perdas (2004) e, mais recentemente, Desonrado e outros contos, lançado em maio. Transe foi, por sinal, o conto escolhido pela Editora Marco Zero para a abertura de Dores e Perdas, "prova da seriedade na escolha dos trabalhos que fazem parte do Banco de Talentos", reconhece Arlindo. Veterano no projeto - desde 2001, já participou do catálogo nas categorias Conto, Poesia e Fotografia, sempre com bons resultados - este ano, Arlindo deverá inscrever trabalhos, novamente em Poesia e Conto.

Coral Real

Duas vezes por semana, 35 colaboradores, entre seguranças, atendentes, analistas de sistemas, subgerentes, secretárias e diretores, se reúnem para os ensaios no Coral Real. O espaço é cedido pelo banco e fica no mesmo prédio da diretoria geral, na avenida Paulista. "Há três anos, seguimos esta rotina. O repertório, basicamente, é MPB", conta Elisabeth Silva, coordenadora do grupo. As apresentações acontecem nas comemorações e solenidades do próprio banco e em ONGs, como a Paulista Viva. Elisabeth destaca que o grupo valoriza muito a iniciativa da Febraban. "O Banco de Talentos acaba sendo uma premiação ao nosso trabalho."

Rato de biblioteca

A autora de contos e analista administrativa, da área de Recursos Humanos, do Itaú, Soraya de Melo Florinda, se intitula "rato de biblioteca". Não é para menos. Autoditata, alfabetizada em casa por sua mãe, professora primária, desde os cinco anos lê autores brasileiros. O seu preferido, para prosa, é Graciliano Ramos. Mas, em sua biblioteca, enfileiram-se livros de Rubem Fonseca, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, entre outros. "Desde pequena, gosto muito de ler e escrever. Quando descobri o Banco de Talentos, não tive dúvidas de me inscrever. Fui agraciada, na última edição, com a escolha de dois trabalhos. Para esta, já separei alguns textos e espero que também sejam escolhidos."

Paixão por escrever roteiro

Um bar decadente onde, num passado de glamour, personalidades como Elvis Presley e Marylin Monroe tomavam seus drinks. É neste cenário que um garçom velho e trapaceiro tenta dar seu último golpe. Este é o roteiro do espetáculo O Bar, do Sérgio Antonio Meneguello, um dos trabalhos classificados para o Banco de Talentos 2003. Meneguello, que é formado em jornalismo e no dia-dia atua como assistente de Serviços Bancários no Unibanco, fala apaixonadamente da paixão por escrever roteiros. E de outras, como a pintura e, princialmente, a música - ele atua como baixista em duas bandas, uma de jazz e uma de rock. E conta que após a participação no Banco de Talentos cursos de roteiros teatrais passaram a fazer parte de sua vida. O objetivo é aprimorar o trabalho.

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