O SEMI-ÁRIDO             


09.04.2003

O Semi-Árido brasileiro é um dos maiores, mais populosos e também mais úmidos do mundo. Estende-se por 868 mil quilômetros, abrangendo o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma parte do sudeste do Maranhão. Vivem nessa região mais de 18 milhões de pessoas, sendo 8 milhões na área rural. A precipitação pluviométrica é de 750 milímetros anuais, em média. Em condições normais, chove mais de 1.000 milímetros. Na pior das secas, chove pelo menos 200 milímetros, o suficiente para dar água de qualidade a uma família de cinco pessoas por um ano.

Mas a chuva é má distribuída física e temporalmente. Devido às características climáticas da região, o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação do Brasil, o que torna reservatórios de água pouco profundos inúteis em épocas de seca. Além disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a chuva, é geralmente poluída e cheia de vermes. Essa água é responsável por grande parte das doenças do sertão: amebíase, diarréia, tifo, cólera.


O PROJETO CISTERNAS

O Projeto 1 Milhão de Cisternas (P1MC) pretende construir uma cisterna para cada casa do Semi-Árido Nordestino, onde, se calcula, vivem cerca de 3 milhões de famílias. Em 2001 foi criada a Articulação para o Semi-Árido (ASA), entidade que reúne mais de 700 Organizações Não-Governamentais (ONGs) presentes no Nordeste com o objetivo de erradicar a pobreza e a fome da região. A ASA adotou um projeto já existente da Caritas (uma instituição de assistência social ligada à Igreja Católica).

Após avaliação do impacto da construção de cisternas em algumas pequenas comunidades, a ASA decidiu tentar ampliar o projeto, para construir 1 milhão de cisternas que beneficiassem 5 milhões de pessoas no prazo de cinco anos. Já foram construídas 4.000 cisternas. Os planos contemplam a construção de 45 mil no primeiro ano, 138.500 no segundo, 275.400 no terceiro, 299.100 no quarto e 242 mil no quinto, a um custo estimado de R$ 1.300,00 para cada cisterna, nos cálculos das ONGs.

A ONG dos funcionários do Banespa, que construiu pouco mais de 90 cisternas na região, chegou a custos que variam entre R$ 844,00 até R$ 1.200,00. A variação é grande não só pelas cisternas poderem ser de diferentes tamanhos (10 mil até 20 mil litros) e tipos, mas também por depender do uso de mão-de-obra local, para complementar a renda da própria família, ou de moradores da região que constroem os reservatórios em sistema de mutirão.

As cisternas são feitas com placas pré-moldadas de cimento, segundo know-how de um morador da região. Nel, pedreiro de Simão Dias, Sergipe, começou a construir cisternas de placas há 35 anos, com seu irmão. De lá, a prática se estendeu para Bahia, espalhando-se pelo Nordeste.

Os benefícios do Projeto Cisternas consistem em reduzir drasticamente a mortalidade infantil, combater o analfabetismo, aumentar a renda, organizar as comunidades, frear o êxodo rural.

FONTES:

Construindo a solidariedade no Semi-Árido - Cisterna de Placas - Manual, Caritas Brasileira

Água de Chuva - O segredo da convivência com o Semi-Árido brasileiro, Caritas Brasileira, Comissão Pastoral da Terra - FIAN/Brasil, Edições Paulinas, 2001

O fim da sede, Revista SuperInteressante - edição 177, junho 2002

Entrevista com Vanda Pita, diretora de Responsabilidade Social do Banco Banespa


Saiba mais:

Bancos apóiam Fome Zero, com Projeto Cisternas
Projeto Cistermas: dados e números.

Febraban - Federação Brasileira de Bancos
Superintendência de Comunicação Social
Tel. 11 3244-9833 / 9819

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