5o
Congresso Febraban de Auditoria Interna e Compliance - 18.11.2004.
Senhoras e Senhores. Autoridades presentes.
Desde suas origens, séculos passados, o setor bancário
convive com o desafio de fornecer um ambiente seguro e protegido para
a guarda e movimentação de valores, para a transferência
e liquidação de obrigações, para a alocação
da poupança entre os agentes econômicos· A expansão
e sofisticação dos serviços financeiros, a crescente
integração dos mercados internacionais e o desenvolvimento
de tecnologias da informação permitiram melhor utilização
dos recursos disponíveis e enorme redução do tempo
na execução das atividades.
A inovação e engenharia financeiras, modernas técnicas
e instrumentos, como os derivativos ou a securitização,
que possibilitam diferentes arquiteturas de composição
e de transação de riscos, propõem desafios estimulantes
aos auditores, como fiadores da confiança pública na correção
e transparência das práticas empresariais e negociais,
e mais ainda no setor financeiro, em que a confiança e a credibilidade
constituem ativos críticos.
Assim, as práticas e padrões de auditoria e compliance
precisam ser regularmente adaptados à evolução
dos negócios e das finanças· Não é
uma tarefa simples, diante da massa e da velocidade das mudanças
e inovações.
Mas esse ajustamento constante não se limita às atividades
de auditoria e compliance - a governança corporativa no seu sentido
mais amplo precisa, igualmente, se adequar aos novos cenários.
Como se verá em diversos trabalhos que serão aqui apresentados,
o sistema bancário brasileiro está fazendo a sua parte
e se destaca hoje mundialmente pelos avanços realizados na área
do comércio, dos sistemas de pagamentos, de transferências
e de serviços eletrônicos.
Essa evolução do universo financeiro exigiu a modernização
dos procedimentos e rotinas, o aperfeiçoamento dos recursos humanos
e tecnológicos e o reforço das atividades de auditoria
e controles internos, sobretudo depois que os progressos tecnológicos
começaram a ser indevidamente apropriados pelos mais variados
tipos de criminosos. A utilização de meios lícitos
para fins ilícitos está na ordem do dia, não só
das autoridades, mas igualmente - e na mesma medida - constitui preocupação
cotidiana das instituições financeiras, de seus dirigentes
e colaboradores.
Prova disso é que antes mesmo da promulgação da
Lei n° 9.613, de 1998, que introduziu no arcabouço jurídico
brasileiro o crime de "lavagem" de dinheiro, as instituições
financeiras, por intermédio da Febraban, já haviam aderido,
em junho de 1996, à Declaração de Princípios
da Federação Latino-Americana de Bancos - Felaban, pela
qual os bancos associados assumiam o compromisso de implantar políticas
e procedimentos de prevenção do uso indevido do sistema
financeiro na "lavagem" de ativos de origem ilícita.
O interesse dos bancos brasileiros em cooperar para o combate aos crimes
financeiros se reflete no convite feito ao Sr. Jean-Pierre Roth, Presidente
do Banco Central da Suíça, que nos dará a honra
de compartilhar conosco a experiência suíça na árdua
e constante tarefa de prevenção à "lavagem"
de dinheiro.
Sua participação neste Congresso atesta a necessidade
de constante interação entre os países na prevenção
e combate à "lavagem" de dinheiro· Mas a inserção
internacional não se restringe a esse tema· A procura
de padrões internacionais mais uniformes e comparáveis
e modelos de gestão transparentes exigem a troca de informações
e discussões entre os profissionais e autoridades de todo o mundo.
É com essa visão que este Congresso traz especialistas
da Holanda e dos Estados Unidos, da Associação Internacional
de Compliance e do Conselho de Supervisores de Contabilidade de Companhias
Abertas, para discutir evolução e perspectivas das atividades
de auditoria e compliance, as implicações da Lei Sarbanes-Oxley,
a ética empresarial, a supervisão do Banco Central, a
função do compliance e do comitê de auditoria e
o papel das ações de responsabilidade social.
Gostaria de ressaltar, finalmente, o excelente trabalho desenvolvido
pela Comissão de Auditoria Interna e Compliance da Febraban,
ao ressaltar o importante papel desempenhado pela auditoria na sociedade,
seja por meio da elaboração e edição de
diversas publicações técnicas, seja pela solidificação
de uma união de experiência, talento e esforços
dos bancos e empresas de auditoria em prol dos interesses comuns de
nossa comunidade e do aprimoramento do sistema bancário brasileiro.
Assim, parabenizo os integrantes da Comissão de Auditoria Interna
e Compliance e, particularmente, os responsáveis pelas apresentações
que enriquecem o nosso congresso, bem como os especialistas nacionais
e estrangeiros de empresas de auditoria que consolidam essa tradição
de trabalho em parceria com os bancos.
Em nome da Diretoria da Febraban, meus agradecimentos às autoridades
que nos prestigiam com sua presença, estimulando o permanente
trabalho de cooperação que o sistema bancário desenvolve
com as áreas de normas e fiscalização do Banco
Central, da Comissão de Valores Mobiliários, da Secretaria
de Previdência Complementar e da Superintendência de Seguros
Privados.
A todos, um excelente congresso!
Click
aqui para mais informações