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 Discurso de Márcio Cypriano, presidente da Febraban - Federação Brasileira de Bancos, no Jantar de Confraternização da entidade realizado dia 1º de dezembro de 2005, no Grand Hyatt São Paulo (avenida das Nações Unidas, 13.301 - Brooklin)

01.12.2005

Senhoras e senhores,

Desejo agradecer, em meu nome, em nome da Febraban e de seus bancos associados, as presenças de todas as autoridades.

Estendo esse agradecimento também a todos os demais presentes.

Neste encerramento de exercício, desejo homenagear o trabalho dedicado dos meus colegas de Diretoria, das Comissões Temáticas e de toda a equipe da Febraban.

Alcançamos avanços importantes no cumprimento da nossa agenda positiva. O principal foi construirmos uma percepção mais realista da sociedade sobre a importância dos bancos para a economia.

2005 foi marcado por um desempenho excepcional de todo o Sistema Financeiro, fruto da soma das condições favoráveis da economia com o êxito das estratégias das administrações dos bancos. Tivemos estabilidade de preços, crescimento do PIB nos 12 meses - apesar da queda no terceiro trimestre -, recuperação do emprego, da renda e dos níveis de consumo, com o crédito atingindo seu maior volume em mais de uma década.

Nosso lucro é reflexo de trabalho, investimento, profissionalismo e escolhas estratégicas responsáveis e acertadas, o que representou distribuição de ganhos para toda a sociedade.

Nossos acionistas ampliaram os ganhos com dividendos e beneficiaram-se do aumento do nosso valor de mercado em Bolsa. Os clientes receberam mais eficiência e atendimento de qualidade, num relacionamento marcado pela ética e confiança recíproca. O governo ampliou a arrecadação com os impostos e contribuições gerados diretamente da nossa atividade.

Os nossos colaboradores, cerca de 400 mil, têm satisfação em trabalhar conosco, pois oferecemos oportunidade de carreira e salários dignos. As comunidades também se beneficiam com os programas de responsabilidade social que empreendemos. Nossos investimentos em ações de cidadania e inclusão social somam quase R$ 1 bilhão por ano.

Ainda assim, nota-se a repetição de críticas pontuais de setores localizados e interesses direcionados.

Entendemos e compreendemos essas reações. As críticas são parte do exercício democrático e, mesmo injustificadas, devemos respeitá-las.

Mas quero dizer, objetivamente, que não as aceitamos. Tecnicamente frágeis, por serem mal estruturadas, essas manifestações revelam preconceito e desinformação.

É importante observar que estamos abertos à sugestões e opiniões sobre necessidades de aperfeiçoamento do sistema, pois elas nos estimulam a corrigir falhas e inovar.

Duas questões atuais são exemplos do respeito que os bancos nutrem pelas instituições democráticas: as leis municipais de atendimento das agências e a discussão no STF sobre a aplicação do Código de Defesa do Consumidor na regulação do sistema financeiro.

No primeiro caso, por decreto, os municípios tentam estabelecer o tempo máximo de atendimento e a logística de funcionamento das agências. Cada município escolhe suas preferências e estabelece exigências casuísticas.

As extravagâncias vão desde instalação de porta-volumes, passando por estrados de apoio para pessoas com nanismo, instalação de TV para entretenimento, decoração com obras de arte para divulgação de artistas regionais, música ambiente, instalação de cadeiras ergométricas, entre outras.

O Brasil, como sabemos, possui mais de 5 mil municípios.

Essa profusão de leis municipais representa prejuízo estrutural na qualidade de atendimento. Há efeitos colaterais negativos, como o aumento do custo de observância, que ao final onera o tomador, sem qualquer efeito concreto para a questão central que a lei municipal quer atacar.

Observamos também com atenção a discussão na Justiça sobre a regulação do setor financeiro. Hoje, esse papel cabe ao Banco Central do Brasil. Sua eventual transferência para o Código de Defesa do Consumidor gerará o risco de desequilíbrio na lógica dos contratos, com provável interferência no custo dos empréstimos.

A estrutura da taxa de juros da economia obedece aos objetivos técnicos da política monetária, que deve ser atribuição exclusiva do Banco Central. Fugir a essa regra, que é universal, implica na criação de uma nova proposta econômica, de modelo anacrônico, onde o juro, ao invés de definido pelo livre mercado, passa a ser estabelecido arbitrariamente.

O Código de Defesa do Consumidor brasileiro é um exemplo de respeito à cidadania e merece ser reconhecido como fato positivo. Em nosso caso, ele pode e deve ser aplicado. Porém, exclusivamente nas questões relacionadas ao atendimento.

Os bancos são supridores das demandas da sociedade. Estamos presentes na maioria das atividades cotidianas das pessoas e das empresas. Influenciamos diretamente um estilo de vida, que privilegia praticidade e conveniência.

Essa intensa participação no dia-a-dia da sociedade nos garante conhecimento para contribuir com idéias e sugestões a fim de melhorar o atendimento bancário. Por exemplo, espalhar o vencimento das cobranças em várias datas ao longo do mês.

A Febraban quer ser ouvida e por isso formou comissões para discutir os temas relacionados ao atendimento e, em breve, vai apresentar resultados.

Quero falar de 2006 e os vários desafios que temos pela frente.

O principal deles é a expansão do crédito corporativo.

Em 2005, tivemos um ano de forte crescimento no crédito. Segundo dados do Banco Central, o Sistema Financeiro Brasileiro, em setembro passado, alcançou R$323,3 bilhões em empréstimos, representando crescimento de 23% em 12 meses.

O crédito cresceu, mas sua participação em relação ao PIB ainda é pequena - cerca de 30%. Este índice está aquém das necessidades do País.

Percebemos que o comportamento da evolução do crédito foi assimétrico. Os empréstimos para pessoas físicas tiveram expansão bem superior aos empréstimos para grandes companhias. Essas carteiras permaneceram praticamente estáveis.

Como resultado, o consumo das famílias continuou crescendo, mesmo no terceiro trimestre. Segundo o IBGE, foi o oitavo trimestre consecutivo de consumo maior pelas pessoas físicas.

Mas, como vimos, o PIB caiu 1,2% no terceiro trimestre, o que comprova que é hora de mudar esse cenário.

Se o crédito para pessoas físicas é fundamental para fomentar o consumo, o estímulo ao crédito para as grandes empresas é imprescindível para fazer o País crescer de maneira consistente pelos próximos cinco, dez ou vinte anos.

O crescimento sustentado da economia depende de novos e grandes investimentos, que gerem plantas industriais modernas, empregos em quantidade e que incorporem novas tecnologias de produção.

Estamos, portanto, falando de um processo de aprimoramento da nossa economia, do aumento de sua competitividade, para dar ao Brasil a posição que ele merece na comunidade econômica internacional.

Há, no mercado financeiro moderno, vários instrumentos de captação de recursos para financiar investimentos, mas o crédito bancário ainda é o mecanismo primordial.

O funcionamento do sistema de produção tem no crédito o seu alicerce. De modo que seu comportamento sinaliza as intenções de investimento da economia.

Várias medidas são necessárias para que o mercado de crédito corporativo volte a crescer.

O câmbio flutuante, a política de metas de inflação, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o desempenho do setor externo e a administração rigorosa dos superávits fiscais mudaram as expectativas e preparam o Brasil para um ciclo de crescimento, estabilidade e distribuição de riquezas.

Essa expectativa nos dá a certeza de que a taxa de juros vai prosseguir em queda. É dessa confiança que precisamos para despertar o desejo das empresas de voltar a crescer.

A taxa de juros, como sabemos, é o principal indutor para novos investimentos na produção. O Copom vem administrando a trajetória da Selic em doses conservadoras, o que é compreensível e seguro.

Mas a velocidade de queda da Selic será o componente fundamental para a volta dos investimentos na produção.

Seria recomendável, também, atuar na questão das cunhas fiscais e no excesso de direcionamentos no crédito. Quanto maior a liberdade de atuação, mais eficiente a intermediação financeira.

De nossa parte, estamos preparados tecnicamente para atender a um potencial aumento da demanda. Nossa taxa de inadimplência se comporta com austeridade e chega a cair, mesmo com o crescimento dos empréstimos. O Índice de Basiléia é confortável.
Os bancos brasileiros sempre contribuíram para viabilizar o crescimento econômico e queremos ser, novamente, protagonistas desse processo. Nossa história de bons serviços nos dá credencial para isto.

A População Economicamente Ativa cresceu 22% em cinco anos. Nesse mesmo período, os bancos registraram evolução de 52% no total de transações processadas. Foram 30 bilhões no final de 2004.

O número de contas correntes subiu 32%, para 73,9 milhões, enquanto as contas de poupança cresceram 48%, para 67,9 milhões, no mesmo período.

Os investimentos em tecnologia dos bancos superam a casa de R$ 4 bilhões ao ano. O parque de máquinas de auto-atendimento apresentou expansão significativa, de 108 mil para 140 mil equipamentos.

Nos últimos anos, o processo de inclusão bancária promoveu acesso a produtos e serviços financeiros para cerca de 8 milhões de pessoas, anteriormente à margem desse atendimento, o que lhes trouxe nova perspectiva de vida.

Posso garantir que temos consciência do serviço que prestamos à sociedade e uma perfeita noção do papel fundamental que exercemos para a construção de uma economia forte e justa.

Em nome da diretoria da Febraban, gostaria de desejar a todos os senhores e senhoras, assim como a seus familiares, um Natal de paz e alegria e um Ano Novo de muita prosperidade.

Muito obrigado a todos pela atenção.



Federação Brasileira de Bancos
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